Podemos não saber
que o vento sem idade
sopra histórias de outros tempos
para que estejamos atentos
ao que ainda nem chegou!
Podemos não saber
que Primavera só começa,
quando o Amor se atravessa,
de fronte, na ponte
em iminência de ruir...
E o que o sentir
tudo remenda,
na ordem inversa à das estações.
Podemos não saber
que o mar nos espera antes da foz,
p'las margens paradas d'encato
à voz suave do canto
da ave da manhã...
sem permanecermos sós,
nas encostas de âmbar e avelã
ao entardecer.
Podemos não saber
se é azul a cor do céu
que se anula do lado de lá d
a campânula onde existimos,
sem seguirmos para lado nenhum.
Podemos não saber
que o mundo se reveste de magia
e nos espera em harmonia
na nitidez dos sentidos
contidos, doridos, perdidos...
pelo medo de não saber
que, quando o rio abraça o mar,
aí nasce o segredo.
Podemos nunca saber.
2 comentários:
Opá... genial! Continua, a sério!!
Muito obrigado Quarentenas inspiradas! Um beijinho
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