Escrito na carne
um verso de amor e pó.
Quietas, as mãos
paralelas ao céu,
sob o ímpio véu
de um deus qualquer.
Suportável, a dor e o dó
daquela janela...
Alguém abriu a alma
sobre a rua,
com a mesma calma
com que nascem frutas fora de época.
- "É preciso que esteja perto, para que o sinta realmente longe."
Um pássaro canta
uma flor floresce
uma criança nasce
e um poema desce apressado,
salgado pelo rosto.
Alguém abriu a janela
e chora o desgosto
que trás na pele.
O sol brilhou
e aqueceu a semente
que a terra guardou,
germinando, de repente,
a saudade de quem sente
um amor que não ficou.
Pó.
Escrito na carne
de alguém
que fecha em verso aquela janela.
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