Tenho sempre tantas coisas dentro da cabeça...
a navegar, desiquilibradas, à proa
como quem voa com o mundo nos pés.
Tenho tantas coisas à rés
de um barco parado
que nunca as acabo.
Nem a mim...
que me comecei numa caneta
e nunca mais cheguei ao fim.
Tenho tantas coisas na minha cabeça
que acabei por comprar um pincel ensinado,
não seja caso de, acabado, o desenho voltar a fluir
e eu fugir atrás dele,
e ele de mim,
e eu dele e de mim, e de mim e dele
sem saber para onde ir.
Tenho tantas coisas na cabeça...
que é também minha a certeza
de que o silêncio povoaria bem melhor a noite.
Mas... há o Tom Waits e o Cohen,
o Dilan e o Paul Simon,
o Miles Davis,
o Chet Baker
e o Bill Whiters...
Os inúmeros King
e todos os Parker.
O Ray Charles,
a Etta James...
O Jazz, o Rock e o Blues!
Ahh!! Tirem-me tudo isto da cabeça
e levem de mim também os Poetas,
os Romancistas,
os Cronistas
e os Psicólogos.
Censurem o conhecimento e os Filósofos
e deixem-me só, mergulhada
na madrugada acordada,
entre pensamentos amorfos.
Ah! Tenho sempre tantas coisas...
Levem-me, por favor, a cabeça.

Pintura da minha autoria
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