domingo, 19 de abril de 2020

Manhã

Era uma manhã
igual a todas as noites:
Só.


 



 

2 comentários:

Francisco disse...

Não sei se me fica mais fácil a solidão, por nunca a ter preenchido antes.
Sempre fui eu para mim mesmo, e os outros alguém para outros tantos. Engraçado que sinto que me falta algo, mas mais graça lhe acho quando não vejo nada preencher esse vazio.
Sinto que é maligna a minha solidão... Desde muito novo o sinto, e daí o receio de algum dia a me ocuparem.
Sinto pelo outro antes de ele sentir por mim. Vejo-lhe nos olhos o desfecho antes mesmo de existir, e afasto essa visão daquele que me bate à porta, não atendendo.
Receio a dor que não me pertence, pois a que é minha já a seguro firme, bofeteio-a e rio-me! Não me assusta sofrer o que já não me causa dor. Mas como todo o ser que se diz frágil, estremeço perante o desconhecido...
Custa-me um ''olá'', quando de seguida vem um nome.
Custa-me um ''como estás?'', quando de seguida vem a resposta.
Custa-me ouvir o outro, não por ser outro ou de o ter que ouvir, mas porque não consigo separar aquele nome de mim, e a dor ou felicidade que expressa daquilo que sinto.

A minha solidão é uma prisão... Não minha, mas daqueles que a querem preencher.
Sinto isso... Desde muito novo que sinto isso...

Rita PN disse...

"mas porque não consigo separar aquele nome de mim" - Somos os outros também. Não somente nós mesmos. É-nos impossível viver sós, mesmo que estejamos tantas vezes sozinhos. Há solidão na multidão. Assim como dentro de nós. Somos partilha. Até de silêncios.

Entendo na perfeição o que me dizes. Porque o sinto de forma similar.
"Engraçado que sinto que me falta algo, mas mais graça lhe acho quando não vejo nada preencher esse vazio." - não faço a menor ideia do que me falta... vou preenchendo a cabeça com múltiplas coisas, e o coração com vazios... Será que muitos vazios ocuparão mais espaço?

" A minha solidão é uma prisão... Não minha, mas daqueles que a querem preencher." - corações em celas fechados. Almas inquietas. Nunca nada lhes chega. Nem a solidão.

Hipoteticamente

Dista-nos um quarteirão de luar onde, na sombra, os detalhes se ensaiam, os elementos se vestem de harmonia e onde todas as ruas parecem reg...