Hoje estou triste. Cobrindo-me a alma, a retalhada manta melancólica do calendário que passou e não levou, na sua destreza ilusionista de dar o dito por não dito, o passado que não passou.
Hoje estou triste e a apatia que me rasga a roupa e expõe a alma, cresce e trespassa-me a calma que julgo ter, sempre que a mim regressas, vindo por becos e travessas, virando avenidas às avessas para, tão distante quanto o coração de ninguém, me envolveres em memórias agitadas.
Hoje estou triste e nem o velho tic-tac do coração suspenso, no pêndulo do relógio tenso, oiço marcar o compasso do dia. Arrasta-se o domingo dentro e fora de mim, como se o fim não coubesse na hora, na data ou na demora do abraço que não se tem.
Hoje estou triste, por qualquer coisa que ficou de um poema. Estou triste e a minha razão lamenta, o que meu coração guardou.
Hoje estou triste, ainda é longe e faz-se tarde para regressar ao lugar das memórias que fizemos e plantar, no seu lugar, flores que me façam lembrar o meu sabor a Primavera.
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
domingo, 28 de outubro de 2018
Para me fazer lembrar...
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2 comentários:
Nunca fui ninguém em que as pessoas procurassem conforto em momentos difíceis. Possuo uma qualquer frieza como mecanismo de defesa, mas sempre, com os meus silêncios, fui como que dizendo a mim mesmo o que era a dor, a angustia, mesmo o medo.
Queria dizer com isto que, não serei eu a conseguir mudar este teu dia, Rita... E isso lamento-o, pois tu mudaste-me posso bem dizer a vida...
Sinto-me inútil aqui deste lado, pois conheço-me o suficiente para me saber quão vago sou, quão ignorante me faço ao «estudar sentimentos», sem nunca ter sentindo um forte o suficiente para me ser esse a ensinar.
Aprendi a respeitar, e mostro-me passivo a qualquer advertência para comigo, pois não considero que valha a pena lutar, nunca me ofendi o suficiente para sequer responder, quanto mais entrar em conflito.
Comecei a compreender, alguns porquês e uns quantos mas... E, de certa forma comecei a fazê-lo... A sofrer ou sorrir, pelos outros.
Não te consigo dizer nada que já não te tenhas dito, que já não tenhas escrito ou sentindo, pois sabes-lo por inteiro e eu repartido. Mas também não consegui passar sem escrever algo e ficou cá isto, quase um desabafo meu que tão pouco agora precisavas...
A primavera não é só uma estação mas um estado de espírito,
É ela a nossa força e vontade de nas mais tortuosas situações fazermos desabrochar uma flor.
O outono que liberte a folhagem e o inverno que a enterre...
Mas que a primavera prevaleça, mesmo que no fundo cá dentro, e que cuidemos do que ela cuida.
No fim, o inverno passa, os céus clareiam, os pastos verdejam... E o sol surge, iluminando a flor que germinámos cá dentro.
Rega-se com lágrimas e sorrisos, sempre foi este o ciclo... Agora, que limpes esses olhos bonitos e que sorrias, para não germinares saudade mas sim felicidade :)
Um abracinho
Meu querido, foste mesmo tu que escreveste está mensagem bonita?! Que orgulho!!! Já valeu um sorriso meu, ainda para mais quando dizes que eu te auxiliei na mudança da vida. Porque sim, eu não fiz nada, apenas te coloquei umas sementes no caminho, para regares, cuidares e veres as tuas próprias flores nascer.
Gostei muito da tua mensagem e agradeço de coração o teu carinho e teres retirado uns minutinhos ao teu tempo para me deixares um bocadinho de ti.
Sabes .. há dias assim, faz parte. Somos humanos e o coração sente. Mas o sol volta sempre a nascer.
Um abracinho também para ti!!!
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