Há, fora do tempo,
outro tempo que nos fazia;
no território das horas inatingíveis,
à boleia do navegar de um veleiro
p'lo tecido azul da tarde.
À proa da névoa, em manto branco envolto,
o alongar do deserto fez-se certo em meu peito.
E p'la sombra prolongada,
morria a lua dilacerada, à noite na baía.
Não podia, porém, saber que era meu o cadáver
que ali sorria,
com a memória da lembrança adiada,
dos sonhos que ainda trazia.
Hoje, trago a roupa cansada
da solidão deste quarto.
E os sapatos, de sola ausente, gritam
elevando-se ao silêncio das letras
que à meia-noite me confortam,
sempre que me vem à boca a saudade dos beijos que já não dei...
no seu travo a licor amargo
de um amor que não se cumpriu.
Heresia ou eco de um destino breve,
que cedo e agreste
a bordo de um veleiro anónimo partiu.
2 comentários:
Fechar ciclos sem se cumprirem às vezes é solução.
Sei...
És forte, ok?
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