terça-feira, 2 de outubro de 2018

Bolsonaro e poder de empoderamento das campanhas "anti"

Um post não habitual no que concerne às genese deste blog, mas representativo do que vou escrevendo/expressando por outras paragens. 


Em jeito de desabafo, e para que possa receber os vossos pontos de vista, optei por partilhar as linhas seguintes aqui, no Conta-me Histórias, a casa da poesia por excelência mas, também, um abrigo para esta mente inquieta...


 


 


Creio que o mundo não tenha compreendido ou aprendido a lição que as últimas eleições Americanas nos concederam. A eleição de Trump, como sabemos, e para além de outros meandros, teve por base o empoderamento que as campanhas “contra” lhe atribuíram.
À semelhança do que sucedeu com o actual presidente dos EUA, também Bolsonaro está, hoje, a beneficiar de uma enorme campanha política e avassaladora visibilidade, através da hastag "ele não" (não utilizei o # propositadamente) e dos inúmeros eventos “anti” que se têm realizado.


 


De pouco nos vale preconizar a nossa repulsa contra algo ou alguém, se a forma como o fazemos determina o resultado que não desejamos.
A atribuição de poder através da palavra “não” é uma realidade, quando falamos em linguagem energética. Esta, não enfatiza a descrença, mas sim a quantidade de energia reunida em torno da questão. Assim, todos quantos “contra” nos manifestamos, publica e conjuntamente, estamos, na verdade, a reunir em torno de Bolsonaro a força necessária à sua vitória.
A meu ver, a única forma de combate a este candidato, seria a proclamação do que se deseja ver realizado e que o próprio não defende. A repetição constante dos nomes que defendem essas causas, a campanha a favor deles e dos direitos, dos valores, das medidas certas e concretas para o povo brasileiro, a fim de que estas possam alcançar a força e visibilidade necessárias à vitória.
Fazer campanha pelo “não” é contraproducente.
Donald Trump é exemplo vivo de que o populismo leva à conquista, ou não fossem investidos mundo e fundos em campanhas e publicidade. O cérebro humano retém a informação que mais ouve e vê e, por isso, são tão perigosas as demonstrações massivas de discordância para com Bolsonaro. Na hora de votar, muitos serão os cidadãos que, sem a cultura, formação e informação devidas, colocarão a cruz no nome mais sonante. Não só por ser aquele que retêm, mas por lhes conferir a falsa segurança de que “se se fala, tem poder. Os outros não conheço”.


 


Posto isto, invertam a vossa forma de fazer campanha, por favor!


 


o-populismo-de-esquerda-ou-de-direita-tanto-faz-po


 


 

4 comentários:

Robinson Kanes disse...

Acabam por provar do próprio veneno. No entanto, contra tanta falta de Democracia e respeito pelo outro, começo a sentir que "Bolsonaros" e "Trumps" são uns verdadeiros meninos junto desta gente...

Interessante que, para o mal ou para o bem (e volto a sublinhar que não sou um adepto de Trump) nunca se fale das coisas positivas que Trump já conseguiu para os Estados Unidos. Também é interessante que, seja uma questão política ou de outros interesses, não se fale do facto de Trump ter sido o obreiro de um processo reconciliador e de paz que está a ter lugar na península coreana. Também é interessante que muitos dos que criticam Trump, e falando das coreias, são defensores de regimes como o norte-coreano...

Rita PN disse...

Não sei se gosto mais da frase de Oscar Wilde "Democracia quer simplesmente dizer o desencanto do povo, pelo povo, para o povo." Ou se de Voltaire "Há muito poucas repúblicas no mundo, e mesmo assim elas devem a liberdade aos seus rochedos ou ao mar que as defende. Os homens só raramente são os dignos de se governar a si mesmos."
Mas George Byron tinha razão ao proferir "O diabo foi o primeiro democrata."

Os estados democratas estão bastante longe de seguir os valores pelos quais se rege a democracia. Creio, até, que se confundem dois termos: democracia e anarquia.
"Trump's" e "Bolsonaro's" são uma nova forma de fazer política. São marcas muito bem instituídas, posicionadas e fortes. Têm no populismo uma arma de poder e, nas emoções que despoletam nos cidadãos, a oportunidade de onde podem tirar partido. No fundo é isso que se pretende. No fundo é esse um dos objetivos das suas campanhas. Marketing extremamente bem estudado. Não "jogam" para perder. Mediatismo, extravagância, extremismo qb, polémica... Tudo leva ao resultado desejado.

Não convém falar bem de Trump, mesmo que esses pontos positivos existam. Vende-se o que alguém quer, mas sempre o que Trump permite.

O mundo está diferente e aguardemos as cenas dos próximos episódios aqui na Europa. Não somos uma ilha...

Francisco disse...

Não sei de nada, pois nada faço para saber... Cansei-me da política moderna, cansei-me do povo que vota, cansei-me do voto. Porquê? Porque a diferença no voto só acontece realmente se for numa escala radical, e essa nunca é bonita, ou pelo menos nunca se fez assim, na história.
Quem vai votar, está limitado no nome que escolher. Ainda não compreendi como os EUA, uma nação enorme, só conseguiu apresentar dois nomes para futuros presidentes. Foi com votos, mas foram só dois... Isso implica que os restantes não fizeram nome na campanha, ou não foram tão espalhafatosos na publicidade, porque, para quê uma obsessão em ser votado e escolhido? Mas pronto... Esses nunca lhes saberemos o valor.

Na América houve a história de Trump contra Hillary, mas de um lado havia discursos, noutro ações drásticas (logo aquelas que muitos americanos queriam ouvir). Quem ganhou? A ação.
Vamos recuar mais no tempo... Alemanha 1933, o Partido Nazi conquistou a maioria depois de aniquilar a concorrência (e oh de que forma... Bem, outra história) Porquê? Porque havia ação. Houve um salto tão grande na Alemanha que ninguém quis acreditar. Houve muitos nãos, antes e durante, mas a Alemanha estava a recuperar e a se tornar uma super potência, e esses eram silenciados. Os nãos depois... Quem os ouviu? Já era tarde.

O Brasil está apertado com uma necessidade enorme de melhoria, assim como a Alemanha se viu (claro que os casos e as necessidades eram diferentes). Bolsonaro, apesar de eu não estar a acompanhar a campanha, apresentasse numa direita extremista, com a visões radicais, mas que (in)felizmente as melhorias (se realizadas) apresentariam ao Brasil uma nova forma de viver.
As consequências de uma mentalidade assim? Não podem ser paradas depois, tem que ser no antes e durante... O depois, é tarde demais.
Agora, o não, não chega! É como dizes, apresentem ao povo algo diferente, parem de dizer não e mostrem-se capazes de dar a volta! É o povo que ainda vota! Digam não!!! Mas apresentem a solução posteriormente.

O não, não chega!


(Desculpa entrar aqui, sem saber nada do assunto, mas vejo-me perder tempo se for investigar acerca da politica, pois o bom senso ainda não foi alcançado, ainda não sabemos viver em democracia, perde-se tempo a fingir que o povo governa e que o estado atende o povo... Não me vejo influente para fazer nada. Não consigo encontrar nada pratico na politica, pois para mim andarem a puxar uma corda seja para a esquerda ou direita, não se vai muito longe, apesar de se despender de um esforço abismal... Ouve-se muito, mas nada mais se faz, pois enquanto um constrói, está o outro retirando a peça, questionando-a, e atirando-a fora... E vice versa.)

cheia disse...

Por muito que enalteçam os ditadores, nunca me convencerão, porque começam por ser eleitos, mas mal se apanham no poder, chama-lhe seu.
Oxalá me engane, mas a ambição desmedida, as saudades dos tempos de colonizadores, principalmente dos mais velhos, ainda nos vai levar a tempos de mais guerras e de mais miséria.
Infelizmente, os Governos de esquerda, em quem depositámos esperanças, têm contribuído para o ressurgimento do populismo, do nazismo, do nacionalismo, por se encantarem com o Poder, praticando os crimes, que criticavam e denunciavam, acabando por fazer o mesmo, ou ainda pior.
Governar não é governarem-se!

Hipoteticamente

Dista-nos um quarteirão de luar onde, na sombra, os detalhes se ensaiam, os elementos se vestem de harmonia e onde todas as ruas parecem reg...