As nossas ruas já tiveram a delicadeza dos meus vestidos
e as sombras da luz em sobressalto nos teus olhos.
O temor das madrugadas no teu rosto
que me bebia o sossego suave do amor,
em eco deposto,
na tua triste e fatal solidão.
Já encostámos ao ouvido as arcaicas palavras do búzio
que, demoradamente, nos falava ao coração,
relembrando o começo infinito dos rios que correm,
mas que nunca atestam o (a)mar.
(Na paixão que não transborda, fica tudo por viver…)
Já te esperei para lá do poente
e antes de haver vida,
nas prolongadas demoras do teu ser ausente.
Não sendo senão cela de saudade,
tombava o meu corpo sobre o teu, já frio,
matando-te a sede; o luar da minha boca
acostumada à intermitência da ausência
que aprendi a suportar.
Ensinei ao peito o silêncio do amor
e a demora da espera à Primavera em flor.
E do vestido que agora tomba
como mortalha carmim, sobre mim,
fizeste casa…
E por fim,
o teu corpo caiu morto sobre o meu,
renascendo agora às mãos da condenação de mais uma mulher.
Quem és?
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