segunda-feira, 19 de junho de 2017

Não basta chorar as cinzas de um país ardido

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São já 61 as vítimas do incêndio que deflagrou ontem em Pedrógão Grande, um número que tende a aumentar à medida que é feito o reconhecimento de toda a área ardida. O número de feridos mantinha-se em 59, às 10:00 da manhã.
Segundo a Proteção Civil, foram mobilizados 692 bombeiros, apoiados por 215 viaturas e aguarda-se a chegada de meios aéreos espanhóis e franceses para ajudar no combate às chamas, que lavram em quatro frentes.


Num país anualmente devastado por incêndios, sejam eles consequência de causas naturais ou mão criminosa, continuamos a assistir a uma extrema dificuldade, por parte dos sucessivos governos, de tomar medidas efetivas que permitam prever, atuar e minimizar o número de catástrofes incendiárias anuais.


 



O ordenamento do território é um dossier que continua a ser descurado, não só no que à desertificação do interior diz respeito, mas também no que toca à má qualidade das acessibilidades, que tantas vezes condicionam o acesso rápido ao local. Também a distância entre as árvores e as estradas é hoje, por infelicidade daqueles que no IC8 circulavam à hora errada no local errado, um exemplo simples, mas mortífero da falta de planeamento e ordenamento do território adjacente às rodovias, sem qualquer faixa/área de segurança ou corta-fogo. Os projectos - de há anos - de limpeza e vigilância florestal continuam na gaveta e a criação de um plano cívico de mobilização para ajudar nessa tarefa também não é horizonte, até porque somos nós cidadãos, membros da sociedade civil, os primeiros a desresponsabilizarmo-nos perante essa actividade considerada serviço cívico.
Porém, pedimos continuamente que sejam apuradas responsabilidades e punidos os culpados. Culpas e responsabilidades essas, que todos os anos morrem solteiras, mas que também nos pertencem, em parte.




 


(Na verdade, em que é que cada um de nós contribuí para que esta realidade se altere?)


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Não basta lamentar, tão pouco criticar, quando a responsabilidade é todos. Não basta prestar apoio e solidariedade emocional, homenagear as vítimas e os Heróis Nacionais que corpo a corpo, na sua frágil figura humana, enfrentam o inferno das chamas nas florestas portuguesas e lutam contra elas, numa tentativa de salvamento de vidas (humanas, fauna e flora) e infraestruturas.



Não adianta chorar sobre as cinzas de um país ardido e destruído anualmente, ficar em choque e cair hoje na real, para amanhã esquecer. É preciso atuar e sermos Unos, em prol de um país que é o nosso, protegendo territórios naturais que têm tanto de nossos quanto as nossas próprias casas.



Porque bem vistas as coisas, a Natureza é tanto património quanto pulmão de todos os portugueses (não somente das gentes do norte, como também do centro e do sul).


 


Hoje eles, amanhã nós ou os nossos. Porque não, não acontece apenas aos outros e é preciso atuar.


Por atentados desta natureza, será caso para usar a tag #prayforportugal


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7 comentários:

P. P. disse...

Muito bem!

Robinson Kanes disse...

Partilho inteiramente da tua opinião! Conto voltar aqui, agora, confesso que não estou em 100% das minhas capacidades.

HD disse...

Estamos todos perturbados com a devastação deste incêndio...
A resposta dos governantes é sempre a mesma, sem soluções!
Ao menos, a solidariedade dos portugueses veio ao de cima para tentar amenizar o sofrimento -.-

Rita PN disse...

Infeliz é o motivo pelo qual escrevo...

Rita PN disse...

Sem problema, Rob. Confesso que também não estou totalmente "sã" perante a realidade. Também voltarei ao teu post, quando voltar a ter discernimento suficiente para "falar".

Rita PN disse...

Se não fosse agora, um dia seria... era inevitável... a falta de medidas efetivas para (não digo por termo mas) minimizar a anual calamidade dos incêndios.
Se foi a mãe Natureza, o Homem não deixa de ter culpa, porque embora não se possa fazer frente a fenómenos naturais, somos nós quem a altera. Basta ver a forma como a manipulamos, construindo, destruindo, plantando o lucro sem medir consequências, criando rastilhos mortíferos... A Natureza deixa de a ser, quando manobrada por nós...
Enfim. Quanto à solidariedade há dois ponto importantes que devem ser tidos em conta. Primeiro, a solidariedade deve fazer parte de nós durante todo o ano e não somente quando a tragédia se abate. Segundo, cuidado com as linhas de valor acrescentado cujo valor não vai inteiramente para o fim que lhes deu origem. Atenção a quem se aproveita destas situações para criar negócio. Isto pode parecer rude da minha parte, mas sei do que falo.
Primeiro, certifiquem-se de que tudo o que é doado chega ao destinatário e não fica pelo caminho...

HD disse...

Concordo, infelizmente há sempre quem se aproveite da generosidade dos outros -.-

Hipoteticamente

Dista-nos um quarteirão de luar onde, na sombra, os detalhes se ensaiam, os elementos se vestem de harmonia e onde todas as ruas parecem reg...