Veio o vento soprar-me ao ouvido de menina,
segredos de um país distante.
Cheirava a terra molhada
e a sonhos prometidos.
Não sei se era o futuro, ou a saudade
de tudo quanto ainda não vivi.
Se era uma ou outra,
qualquer coisa entre elas,
ou mais ou menos isso.
Estalava a madeira no prolongamento da madrugada,
como as cartilagens estalam aprisionadas no meu corpo.
Cheirava a despedida
e choviam passados lá fora.
Feitos de lágrimas, os Homens eram todos feitos de lágrimas.
Sem cheiro a terra molhada,
sem a candura poética
de quem sofre ou ama,
sofrega e desesperadamente,
ou de vagar, muito devagarinho, de mansinho
como passarinho em ninho de sonhos.
Nada. Nem uma coisa nem outra.
Tão pouco qualquer coisa entre elas.
Veio o vento soprar-me ao ouvido de menina,
a canção de um país distante.
Para lá da linha, para lá dos olhos,
para além da imaginação.
Se era o futuro ou a poesia, não sei.
Fusão de ambas, talvez.
És terra. Sou chuva.
Casa fértil, sonhada para lá do horizonte.
Nosso, o jardim de terra molhada, onde brotam sonhos
com cheiro d'amor.
Vieste tu soprar-me ao ouvido de menina,
a poesia do coração.
Demos as mãos...
... hoje, ainda cheira a terra molhada!
7 comentários:
Está tão bonito! De verdade
Está cheio de sentimento.
Um beijinho,
Julieta
Querida Julieta, antes de mais muito obrigado por ter passado por aqui.
Fico feliz por ter gostado. Este cantinho tem as portas abertas para que o visite sempre que quiser nevegar pela minha poesia.
Um beijinho e um sábado feliz!
Porq
Porque é que já não me surpreendo...
Não sei se isso será bom sinal (para mim), perder a capacidade de te surpreenderes por aqui
Penso que é um bom sinal... Pois venho sempre aqui com as expectativas em alta :-)
Acabaste de elevar bastante a fasquia deste cantinho! Espero estar à altura, correspondendo a essas expectativas, na maioria das vezes ehehe
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