domingo, 7 de março de 2021

P'los Campos da Escravidão

Um homem sabedor incomoda.
Um homem de direitos não se quer.
Um homem instruído é uma maçada!
Os homens de leis são infiéis.
Quer-se aquele, o que nos bolsos nada trás,
para lá do tecido roto onde jaz
o próprio ser...
que cai 
à noite,
como a noite,
sobre os sulcos do colchão de guerra
sujo
moribundo
fraco
e sombrio.
Querem-no a ele e aos outros iguais
em terra d'ouro, em mãos marginais.
Em tecto mouro,
é interdito, tudo o que é dito,
pouco podem compreender!
Além, o dever:
labutar
aceitar
sucumbir
esquecer.
As mãos, doridas e gastas,
incapazes de segurar no pão que há-de vir...
duro! Tanto quanto o chão onde cresce
e onde, à sorte, padece, 
entregue aos restos de ração.
Na pele queimada do sol, arde-lhes a vida
e a planta dos pés, sem rumo.
Restam as solas no piso defunto,
onde morrem.
E morrem de todas as maneiras, 
todos os dias,
pelo menos uma vez.
Morrem.
À dignidade, a viuvez.
Morrem. 
Vazios de tudo, anteriores à idade,
sem identidade, 
ou palavra na boca,
sem nada na mão,
sem nada no bolso,
sem nada na alma,
nada no coração...
Nada!
Nem Liberdade.


São estes os filhos da escravidão. 



 

1 comentário:

MariaLi disse...

Incómoda e tristíssima realidade. 😪🎭
🌼🌸

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