quinta-feira, 4 de março de 2021

Mão Aberta

[ Canção ] 


Desponta de uma guitarra
uma aguarela, teu rosto
olhar que me tem e agarra
meu querer, meu desgosto.


P’las catacumbas do peito
dedilho vã eternidade
teus contornos, meu tormento
teu perfume de saudade.


Depois da hora é já tarde
para ficar e não sorrir.
Amor, lume que não arde
é cinza na brasa, hora de partir.


Na mão aberta em que te trago
aceito o tempo e a viagem
em que te vais, carta de mago
sem retorno, nem paragem.


Desponta de uma guitarra,
pincel que guarnece o peito,
teu fel, tua vaidade
teu mel, eternidade
tua virtude e defeito.


 

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