[ Canção ]
Desponta de uma guitarra
uma aguarela, teu rosto
olhar que me tem e agarra
meu querer, meu desgosto.
P’las catacumbas do peito
dedilho vã eternidade
teus contornos, meu tormento
teu perfume de saudade.
Depois da hora é já tarde
para ficar e não sorrir.
Amor, lume que não arde
é cinza na brasa, hora de partir.
Na mão aberta em que te trago
aceito o tempo e a viagem
em que te vais, carta de mago
sem retorno, nem paragem.
Desponta de uma guitarra,
pincel que guarnece o peito,
teu fel, tua vaidade
teu mel, eternidade
tua virtude e defeito.
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