Guardo um tesouro antigo,
em náufrago e incerto navio.
Momentos e histórias que vivi,
contos, poemas que escrevi,
linhas inúteis de utilidade controversa
se perversa é a afeição do coração
sem pressa de cantar.
Fala por gestos e sorrisos d’olhar,
palpitares indiscretos, arritmias d’amar.
Dá de si, sem por defeito esperar,
que ao fundo do navio se possa chegar
levemente...
Guardo um tesouro antigo,
sonhos de ouro
que teimo em sonhar;
livros não lidos, por não serem escritos,
por não revelar…
de mulher desejos, intensos sobejos
de mares por explorar;
céus moribundos, de estrelas defuntos,
astros por inventar.
Ao fundo de mim não vou!
Que nem me quero,
onde me acabo,
poder encontrar.
Porque, no fim de me ser,
mais que infinito,
ao fundo de mim
não te vi chegar.
2 comentários:
Gostei.
Grata!
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