sexta-feira, 20 de março de 2020

Página em branco

No branco da página
que agora nos olha,
são as cores do presente
quem nos tolha e devora
o possível.
P'la brancura estridente
do nada que nos assola,
será negro o risco de paz
que nos consola
a ponta do nada, numa caneta
carregada de tudo.
São tantas as cores do vazio...


 

2 comentários:

Francisco disse...

Há no nosso intimo uma necessidade de querer criar, seja em que arte for, algo que nos expresse. Algo que se prolongue e que, se tal feito alcançar, perdure no tempo.
Mas é de ser tão pessoal e querido que não nos contentamos com ele, que duvidamos da sua mensagem, da qualidade das cores ou palavras utilizadas, de nós mesmos, até, se é realmente aquilo que queremos registado.

O quão pode ser intimidante uma folha em branco, pois é ela uma janela sem paisagem. É essa a vista que vamos apresentar a quem entregamos essa folha, e assusta. Deixa-nos desconfortáveis, ansiosos pela aprovação (ou reprovação) do feito, e por isso desfazemos, alteramos, riscamos e escrevemos por cima. Nada nos sacia, porque as palavras, por mais abrangentes, não chegam.
Mas persistimos, pois a procura é longa e já o sabemos, e quanto mais persistimos maior será a tela, maior será a vista, mais branco terá o papel e como ironia menos escreverá a nossa tinta...

Carla disse...

'São tantas as cores do vazio..."
São mesmo! ... 😉😍👏😚🌸

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