terça-feira, 7 de agosto de 2018

Hei-de Levar-te Lá

Tropeçar nas cores do arco-íris
e colher, no céu, pétalas de estrelas.
E das rosas, que são prosas
que habitam o jardim que sou,
beber-lhes as asas...
Com elas, visitaremos os astros
e pousaremos, amantes, na paixão da lua cheia.


Hei-de levar-te lá,
à tela branca e simples,
para que me pintes assim...
sempre que a janela se abrir, leve
sobre os recantos de mim.
Hei-de mostrar-te os barcos na bruma
e o amor que, sem pressa, navega
na ilusão breve das cores
das asas das borboletas.
Hei-de abraçar-te,
na rua onde te habitam os sonhos
e hei-de encontrar-te,
na esquina do acaso da ternura
sem urgência.
É lá, que ao tempo decai a premência
e os dias se abrem como camélias sem estação...
à medida do que somos:


Cartas de afeição que o vento leva...
sem resposta,
do meu ao teu coração.


 

21 comentários:

Robinson Kanes disse...

Gosto deste teu estado...

Rita PN disse...

Mesmo que ele (o estado) me habite somente nos sonhos de menina?
Porque aqui, onde a vida saber a caminhos de dor, estrume e fel, esse amor já não é meu...

Lost disse...

E pelo jardim florido onde ressalta o cheiro a jasmin... a borboleta voa mesmo à frente e sem que se aperceba, pousa no ombro e caminha no mesmo percurso...

Rita PN disse...

As borboletas são livres! Não nos pousam no ombro para lá continuar. Antes são atraídas por jardins de beleza pura e singular, onde possam voar e acrescentar beleza ao espaço onde se movem. As borboletas são seres frágeis, como as flores (gosto de lhes chamar flores com asas), mas de inteligência garantida. Algumas espécies, após a metamorfose, duram somente 24h. Nesse tempo, experimentam a liberdade, oferecem-nos o encanto, a subtileza e simplicidade, namoram as flores e seguem a lei da vida, deixar descendência.

Não acredito em borboletas no ombro, acredito em quem vem sem interesse ou obrigação, caminha lado a lado connosco, porque assim é seu querer, nos dá sem cobrar, nos acrescenta livremente e... fica, pelo coração.

(E nós humanos, seremos capazes, numa vida, dos feitos leves que uma borboleta faz em horas?)

Lost disse...

Duas borboletas também voam lado a lado, tal como dois seres humanos assim caminham e as olham, admirando... Dois seres humanos podem ser como duas borboletas...

Rita PN disse...

Continuo a acreditar que a essência é una. Não se transmite nem se transpõe. Deixemos com as borboletas, o que é somente dom das borboletas.
Os seres humanos têm um longo caminho a percorrer.
Raros, muito raros, são os humanos capazes de usar a leveza das asas, quanto mais do coração...

Lost disse...

Mesmo com todas as diferenças há sempre semelhanças, por mais breve que seja, por mais ínfima que seja...

Rita PN disse...

E se eu te disser que é na diferença que mora o amor?

Lost disse...

Nessa lógica, acabo por concordar.

Rita PN disse...

E o segredo, que não o há, é aí que mora!

Lost disse...

E na simplicidade...

Rita PN disse...

Que mora muitas vezes nessa diferença de que falo :)

Lost disse...

Certíssimo! :P

Rita PN disse...

(Só pedia um dia de vida no mundo dos meus sonhos...! Lá é tudo mais doce...)

Lost disse...

Há sonhos que se realizam..

Rita PN disse...

Alguns, efetivamente. Também é para concretizar e realizar que cá andamos! Se não, ainda menor era a graça disto tudo.
No mundo das meninas, que semeiam jardins na alma, existem outras sonhos de realização mais complexa, quantas vezes utópicamente sonhados... (Mas gosto de por lá andar).

cheia disse...

O que parece impossível, pode, um dia, tornar-se realidade.

Rita PN disse...

Tudo o quanto é impossível, só o é até acontecer!
Mas sabemos identificar dentro de nós, o que nunca passará de um sonho e o que é meio caminho para se tornar realidade.
O sonho, aqui, ficou pelo caminho...

Lost disse...

Evidente.
E ter sempre novos sonhos para alcançar...

Rita PN disse...

Isso é fundamental. Principalmente a quem nunca sacia a sede...

Lost disse...

Exacto.

Hipoteticamente

Dista-nos um quarteirão de luar onde, na sombra, os detalhes se ensaiam, os elementos se vestem de harmonia e onde todas as ruas parecem reg...