sábado, 25 de agosto de 2018

Da verdade, não se olvida a hora

O dia abre mão
de tudo o que passa,
se esfuma e não dura,
de toda a passagem
que fere e trespassa ,
se alonga e não cura.

Da verdade, não se olvida a hora,
e é limpo o rio onde renasço:
asas, pétalas, sonhos e cores
histórias, livros, talvez amores...
Ser nascente e ir na corrente
de quem sente, de quem se abraça,
de quem sorri e se enlaça
ao lado certo da vida.

O dia abre mão,
de tudo o que passa.
se esfuma e não dura.
E eu, o meu coração
a tudo, quanto à passagem,
olha, sente, cura...
...e perdura.

12 comentários:

Francisco disse...

O dia não se sente sendo dia. O dia não sente nada, para esse sentido. Ele passa, porque sabe que no seguinte estará cá, exatamente como o dia tem que ser - Apenas ele.
Somos nós que vemos o dia bonito ou feio, tempestuoso ou solarengo. Ele não sabe, ele não se vê.
Por não se ver, por nada sentir ou saber, o dia não é ninguém. Foi criação do homem até, a invenção do relógio e calendário.
O dia não é frio nem quente para com as coisas... As coisas é que lhe retiram o calor ou o frio, dele.
E nós somos uma dessas coisas.
Não penses no dia, ele não pensa de todo... Não há forma de o mudar, sendo dia, para outra coisa qualquer, ele não ouve, também. E, se é em nós que as coisas ficam, e não no dia, então é porque essas coisas estavam para ser nossas, e não perdidas no tempo :)

Rita PN disse...

Na verdade, "as coisas" de que falo não vieram para ficar em mim. Só fica a lição. Das "coisas" abro mão, a tudo...

cheia disse...

Enquanto o tempo mão olha, não sente, não cura!
O seu coração a tudo olha, sente, cura, perdura.

Rita PN disse...

Leu-me por dentro!
As pequenas coisas da vida, só essas!
Um abraço e um beijinho, amigo José (não gostando que eu o trate por senhor)!

Francisco disse...

Nada é eterno. Mas aquilo que prevalece durante mais tempo não são as coisas físicas, são as outras.
Ao se comer um fruto, retira-se-lhe a casca (o físico) e come-se o que ele oferece. Já não lá está, mas ficou em nós. A sensação, o sabor, pertence-nos agora. Isto utilizado em metáfora, para tudo o que da vida nos passa.
Por mais que seja amargo o sabor de algo que nos ficou na boca, e por mais esquecido que ele esteja na nossa língua, basta pensar nele que retorna. Porque ainda faz parte de nós...
Esquecer esse sabor, se assim fosse possível, era perdermo-nos um pouco, e, pior ainda, desejar, por curiosidade, tomá-lo à boca (''uma outra vez'')... Há que ficar com tudo, bom ou ruim, porque é isso que nos faz começar a ficar mais seletivos, e a procurar o que mais nos aconchega.
Repugnar o mal, e ignorá-lo, é voltar a toma-lo no gosto todos os dias que o relembramos (que voltamos a fazer o mesmo erro).

Rita PN disse...

O mal nunca fica mim! Nunca. Em mim só fica o que eu deixo. Tudo de transforma e tudo tem o seu tempo.
Se o mal ficasse em mim já eu tinha morrido faz tempo. Mas não, floresci. Deixei o podre no lugar dele e segui, leve. Só se trás a bagagem se nos permitimos trazer. Tudo é uma questão de mente. Uns usam-na a favor, outros contra. As emoções também se trabalham e o passado só é presente quando assim queremos que o seja, ou permitimos ser.
Uma coisa é trazerem as "coisa" outra é ficares com a lição. A lição já não são "coisas" é apenas sabedoria.
Eu não guardo o que me fere. Isso o universo ajusta. E nunca falhou!

Francisco disse...

Que sabedoria se tem para algo que já não se tem? Ou que já não se use, ou que já não se referira? Algo que já não existe...
Como uma frase que ouvi - Saber e não utilizar esse conhecimento não é saber de verdade. (Que tanto a mim se adequa...). Para saber há que reconhecer de onde isso veio, a origem, e essa, positiva ou negativa, não nos abandona, pode-se perder em nós, mas não se perde de nós (e isso é muito diferente).
A aprendizagem vem de algo, e esse algo estará sempre presente se a compreensão do mesmo, ainda nos é (está) também presente.

E como disseste, o passado só retorna se o chamarmos - Mas ele está lá, e esse foi o meu ponto.

Sobre como ultrapassas esse inconveniente, que tenho eu a dizer? ''Eu não guardo o que me fere''. Mesmo carregando o passado, as cicatrizes que ele deixa no corpo (que essas não as guardamos, mas sim carregamo-las; guardá-las seria todos os dias pensarmos nelas, premirmos com força onde ainda estas oferecem dor...).

Mas eu já nem sei se estou a soar positivo ou negativo... Este lado nas palavras é me estranho ainda, porque nos sentidos das palavras, não há sentimentos, há uma indicação para quem sente o quê, onde e porquê. Como personagens de um livro que somos, estas que desenvolvemos sempre um pouco mais... Os sentimentos que lemos, que vemos, esses são os nossos, e não os das personagens... Como disse uma vez, é me tão difícil aparecer aqui, no teu cantinho, e falar como se não te compreendesses mais do que fazes.
Pode ser por isso que ainda assim o tente, pela misticidade do ser que tu és, e pelo mais que te incentive a dizer, nas minhas afastadas palavras, para ouvir as tuas, vindas de ti :)

Rita PN disse...

Podes ter a sabedoria em ti e não teres que fazer uso dela. Adquiriste com a experiência. Isso é o suficiente. Se os acontecimentos se repetirem, utilizas. Se não, segues com ela.
Mas daqui a uns anos entenderás o que te estou a dizer.

Já sabes que podes vir sempre a este cantinho. Mesmo quando não estamos de acordo, aprendemos o olhar do outro. Isso também é viver :)

Francisco disse...

Não estava a ponderar deixar de vir hehehe
Mas ser bem vindo é sempre um incentivo :)
E obrigado pela discussão! É me tão satisfatório quando não sou eu que trago o tema à deriva, e que tenha que ser eu a compreende-lo, sozinho... Pensar sozinho entretém-me, mas aborreço-me. Ainda mais que sou muito teimoso de ideais, e discutir comigo mesmo é uma algazarra, pois quem menos me respeita na vida sou eu mesmo... (Lá estou eu a falar de sabe-se lá o quê...).

Bem, um beijinho :) Hehe


Rita PN disse...

Ahahaha eu percebo o que referes quando dizes ser uma algazarra. Também me acontece.
Olha Francisquinho, respeita-te sempre! Sempre. Tens que ser o primeiro a respeitar-te, porque este mundo não é puro...
Um beijinho

Francisco disse...

Deve ser por isso que sou assim mesmo... Qualquer sistema de defesa que adquiri (ou que se desenvolveu...) - sendo eu quem me ofende, não o farão os outros, não na mesma intensidade...
Melhorou bastante, principalmente quando terminei os estudos e pude respirar o ar que queria, e não o que me obrigavam. Este ano ainda não sei, mas se voltar a estudar pelo menos sei o suficiente para me defender, e não ofender-me com mais intensidade... O famoso lutar fogo com fogo - impressionantemente resulta, mas no final queima-mo-nos sempre, ainda com mais intensidade do nosso próprio... Assim como deixar de sentir dor num local, sentindo uma outra maior noutro. Resulta, mas quem queria ser eu se fosse sempre assim...

Rita PN disse...

Francisco, bem-te-quer! :)

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