terça-feira, 19 de junho de 2018

Os Loucos Escrevem

Um olhar que quando cai,
cai muito devagar...
Como os ombros, carregando os anos 
e a fome das respostas
que os romancistas prometeram,
e que não acontecem, tal como a vida.
Páginas cansadas de gente
que nelas está sem existir;
histórias contadas sem acontecer,
entre frases narradas e não proferidas,
escritas para agradar ao nascer, com prazer, 
ao mais solitário dos corações vagabundos
por aí...

De que adianta fazer perguntas a um estranho,
quando o mundo dos poetas não é palpável? 
Utopias cíclicas, encadeadas e indissociáveis 
do sistema solar onde lhes orbita a loucura.
Na verdade, nem a Via Láctea lhes chega! 
É-lhes mais que preciso o buraco negro
para onde se arrastam, 
sugados pela força centrífuga do devorador de sonhos; 
estes loucos que escrevem...


Um olhar que quando cai,
cai muito devagar...
Como um romance, quando finda
e o coração descai
no verso de uma vida que termina
e se esvai... na leve pena de um poema.

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