Hoje acordei contigo. Com a ternura que deixaste e preservo no meu peito. Acordei e lá estavas tu, enérgico, como a trovoada que se bate sobre mim. Presente na memória dos objectos e das fotografias, abraçaste-me a delicadeza com que preparei o café. Servi-to, na quantidade extacta com que me inundas de lágrimas o peito. Longe, a baía dos teus braços, que me envolvia em marés de amor.
Hoje acordei contigo, na dor da minha almofada, junto à candura dos sonhos que ficaram por viver. Abri as janelas, que anteriormente tinham vista para os teus olhos, e demorei-me na contemplação da saudade.
Hoje acordei contigo e debrucei-me, para lá do que pode a razão, sobre o horizonte eterno e fugaz onde o amor se deita, e vi-nos cair, sem estrelas que nos amparassem, do céu onde te quis todas as auroras.
Hoje acordei contigo, sem que ontem te tenhas vindo deitar ao meu lado.
Hoje acordei contigo e nem eu estava lá...
Esta noite, vou procurar no mar que me fez marinheira, a luz do teu sorriso, antes que a eternidade escureça e a melodia que somos, e que ainda oiço, pelo buraco negro da dor se finde.

4 comentários:
"Hoje acordei contigo, sem que ontem te tenhas vindo deitar ao meu lado.
Hoje acordei contigo e nem eu estava lá..."
Acho que estas palavras resumem o estado de alma... Ou o desejo de que seja esse o estado de alma...
Vês, também sabes sintetizar :-)
Olá boa noite. Gostei imenso. E dá que pensar.
Cara Maria Grace, desde já lhe agradeço a visita a este cantinho, assim como lhe agradeço a leitura e as palavras que me deixou.
De facto, apela à reflexão... gosto de pensar e de fazer pensar, também.
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