
Elas são mães e pais, não necessariamente por esta ordem, mas sim em simultâneo. Super Guerreiras sempre com a espada numa mão e o coração como escudo na outra.
E esse é o seu papel principal. Embora se desdobrem em tantos outros papéis num curto espaço de 24 horas. Não têm tempo para ler o guião, por isso improvisam. A intuição de que são dotadas raramente as deixa ficar mal e quando se trata dos filhos, nem o cansaço as vence.
"Enquanto sou mãe e pai sou também cozinheira, lavadeira, faxineira, professora, educadora, amiga e companheira, conselheira, organizadora, trabalhadora num qualquer departamento ou negociante, sou filha, sou amiga, sou vizinha, sou enfermeira e médica sempre que necessário, motorista, jardineira, anjo da guarda ou polícia, por vezes até cientista, pago contas, estico dinheiro e invento tempo para ser um bocadinho eu. Tudo isto em pose de senhora, num corpo feminino que os aconchega no colo, que se molda às cabeças no ombro e lhes deu de mamar quando eram bebés. Um corpo e uma mente com a flexibilidade necessária para cada nova situação com que me deparo e a voz doce e meiga que os protege, com a necessidade pontual da autoridade que os alerta e coloca em sentido."
Super Guerreiras. Para elas não há dias de folga, não existe um "toma agora tu conta deles para eu descansar", ou mesmo acompanhar as amigas num final de dia. Tudo para não falar de privar consigo mesmas e privilegiar de uns momentos sozinhas.
São a presença feminina assídua, perante uma ausência constante da figura masculina. Paternal dizem vocês. Discordo. A paternal é, na maioria das vezes, assumida por alguém, que nessa mesma maioria se intitula Mãe.
Aos filhos preenchem silêncios, para que estes não falem tão alto. Ocupam-lhe os tempos livres para que eles não tenham tempo para sentir a falta de um pai ausente, mas também lhes ensinam que para quem realmente importa não existe ausência nem falta de tempo, que lembrar não é estar presente, que pai não é só um nome comum, nem um estatuto adquirido, mas sim um adjetivo caracterizador e complexo. Que os direitos são para quem assume os deveres e que uma pensão de alimentos não serve para uma mãe se governar, mas sim para ajudar a suprir as necessidades de um filho. Ensinam-lhes que o dinheiro compra bens materiais, brinquedos e objetos supérfluos, mas não compra amor, carinho, amizade e atenção. Ensinam-lhes que sempre que o telefone não toca, nem a campainha da porta se faz ouvir, existe uma outra porta na vida que, apesar de tudo, não se deve fechar. Mas que só a atravessa quem realmente quer, sem necessidade de ser convidado a fazê-lo.
Acima de tudo e de qualquer outra coisa, ensinam e demonstram todos os dias úteis, feriados e fins de semana, a tempo e horas ou fora delas, que um coração de mãe é infinito.
10 comentários:
Grata pela afeição a esta tão pequena mas tão grande homenagem! Vou partilhar da mesma opinião, sexo forte com toda a certeza :)
Texto delicioso e que me toca particularmente. A minha mãe ficou viúva quando eu tinha 9 anos. E foi sem duvida Mãe, Pai e tudo e tudo e tudo!
Um feliz dia!
Muito obrigada minha doce Maria :)
Sabes, nas emoções, tal como nas fases e acontecimentos da vida nunca estamos sozinhos. Há sempre quem experiencie o mesmo que nós. Quem sinta o mesmo que nós. A vida é um ciclo. As estações do ano são cíclicas. Os dias são cíclicos. E também nós o somos.
No meu caso, a ausência da figura paternal não se deve à morte, mas sim a uma opção do mesmo. A vida é mais fácil assim, sem responsabilidades e preocupações acrescidas. E quem sou eu para lhe dizer o contrário? Tem 3 filhos de sangue e apelido. Já de coração... não te sei responder...
Uma beijoca
identifico-me tanto com isto!
e o meu pai sempre esteve presente... fisicamente. mas nunca foi pai ou sequer amigo.
tudo o que sou, devo à minha mãe.
beijinho, Rita. ❤
Em tempos, recriminei muito o meu. Não percebia os porquês. Não compreendia a sua posição. Perguntavam-me que mal teria eu feito para não merecer um pai presente, um pai igual aos pais dos meus amigos. Culpava-me, nem sei bem a que propósito, por não ser importante para ele. Era uma criança e não era dotada da escola da vida. Cresci. Sem ele. E aprendi que só me faz realmente falta quem aqui está. Aprendi a respeitar a opção dele,de ter uma vida sem responsabilidades e problemas. Afinal, se não se tem o dom da paternidade e não se quer ser pai, ou se sê-lo coloca vários entraves à vida que se pretende viver, quem sou eu para lhe pedir que o seja? Ninguém. Apenas posso respeitar, por mais que me custe aceitar.
No fundo dou-lhe graças pela coragem da negação. Não seria quem sou e como sou, caso ele tivesse ficado.
Não lhe devo nada. Tudo o que consegui a mim e à minha mãe o devo. A vida é feita de escolhas e ele escolheu o caminho que considerou melhor para si.
Obrigada pelas palavras e um beijinho ❤
E muitas vezes esquecemos que elas não estarão lá para sempre...
Verdade... Vemo-las como uma extensão de nós próprios, criando uma ideia ilusória de que enquanto nós existirmos elas também irão existir. Não deixa de ser verdade, só não o é fisicamente.
Sim… de facto. Mas quando elas já não estão, mesmo esse prolongamento da "vida" não permite que aquilo que se poderia ter feito antes, possa agora ter lugar.
Boa semana… :-)
Esse é um facto irreversível.
Obrigada Rob, igualmente para ti!
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