quinta-feira, 30 de março de 2017

Já não é tão alto o céu

Já não é tão alto o céu
Se na encosta da lua, sentado
Sonho o universo sem véu, 
nú e por desbravar.
Longe do negrume que assola a escuridão
da tua ambição
e de um caminho ainda réu
das margens do choro de um rio,
onde um barco vazio,
escoa perdido
por entre as pedras da calçada
onde te sentas
e lamentas:
- "Quão distante é o céu...”

Já não é tão longe a estrela
que me guia, lá no alto
quando à noite, sentado no asfalto
olho para trás e me sei capaz
de voar.
- Basta sonhar -
(E na lua já estive)
Porquê sabotar o descolar
do futuro
Se já não é tão alto o céu?

E tu, que parado ficas
a olhar para mim,
criticas-me as asas
"São contos de fadas"
dizes-me, já sem história.
E enquanto eu visto o universo nú
e acendo as estrelas da vitória
Tu cobres-te, gélido, com a mortalha
e dás por finda a batalha
da vida.

Respiras. Mas já não sonhas.

17 comentários:

Filipe disse...

Que bonito, parabéns pela inspiração.
Beijinhos**

Robinson Kanes disse...

E dizer o quê?

Sempre genial!

Rita PN disse...

Grata pela sua apreciação Sr. Solitário. E, em especial, por ter tirado uns segundos do seu tempo para passar por este meu cantinho.
Que a inspiração que a mim me move, possa move-lo a si também! Um beijinho!

Rita PN disse...

Meu querido Robinson, grata pelo alento que sempre aqui trazes (e que, no fundo, é parte de ti)!
Gosto quando o mergulhar na mensagem, vos impede um comentário mais extenso!

Kalila disse...

Rita PN disse...

CÉU disse...

Olá, Rita!

Um poema mto bem urdido, com três estrofes, não com o mesmo número de versos, mas tb não tem de ter, que parecem distintas, mas o não são, pke têm sempre o mesmo fio condutor de ideias, k é um fio superior, vencedor total e brutal para o "teu" lado, e total e friamente derrotista para o lado da outra pessoa. Olhando a tua foto, comecei a cogitar estados de alma e personalidades, mas isto é (de)formação profissional.

Afinal, já "nada" está tão longe, mas passando por todas as etapas, acaba por verificar-se que o outro, apenas, sobrevive e não sei se respirará nas melhores condições, enquanto que "tu", o teu eu-lírico é, será vencedor, repleto de astros cintilantes e até ofuscantes, de vitórias, mesmo que sejam efémeras, todavia, o outro já feneceu e tu estás na crista da onda, pensa o teu eu-lírico, mas olha que os mortos, e se és crente, tb ressuscitam (rs)!

Beijos, boa sexta e melhor fim de semana.

Rita PN disse...

A minha forma de escrever poesia é muito minha. Não sigo "regras", se é que as há. Não obedeço a uma métrica, não pretendo que as estrofes sejam todas iguais, que a rima seja cruzada, interpolada ou que todos os versos sejam brancos. Não sigo um método pré-estabelecido, nem nunca um poema meu obedecerá a muito daquilo que nos foi ensinado na escola e que, por esse motivo, se consider ser a forma correta. Não há regras, certo ou errado na poesia. Na poesia há sim, emoções, sentimentos e liberdade que ganham a forma de quem as escreve.

Nem a vida é ordeira, arrumada, certinha e esteticamente alinhada.

O tema dos meus poemas não tem necessariamente que ser algo MEU. O eu poético é, muitas vezes, uma criação poética. Alguém que eu encarno para poder transmitir a mensagem.
Não há um EU vencedor e um Outro vencido. Há dois lados de uma mesma moeda. E cabe-nos a nós decidir por qual enveredamos, na vida. Não é importante se eu sou vitoriosa, se tenho em mim a luz dos astros, se vou mais longe ou mais depressa, se alcanço ou não as minhas metas. Tal será totalmente errado dizer que eu me sobreponho ao Outro ou que o supero. Aqui o foco não sou eu. Aqui existem duas fases distintas da vida, a vitória e a derrota. Cabe a quem ler perceber com qual delas se identifica. Isto não é sobre mim, é sobre todos nós.

Não sou crente a não ser na filosofia que defende que "nada se perde, tudo se transforma".

HD disse...

Tremendo, maravilhoso *_*

Rita PN disse...

Com direito a estrelinhas e tudo?! Muito obrigada querido HD! Um beijinho e um óptimo fim de semana :-)

HD disse...

Às estrelas que tu acendeste...
Antecipaste-te à lua. Logo acenderá o resto da iluminação ;p
Bom fim de semana, beijinhas*

Rita PN disse...

Bem... que comentário bonito! E não sabes tu que faço anos, se soubesses nem sei que obra de arte daí sairia ehehehe
A luz mais importante é que há dentro de cada um de nós! Essa luz sim, tem um alcance inimaginável. Se a humanidade se juntasse, então... :-)
Beijinho grande!

HD disse...

A sério? muitos parabéns :)
Sim, todos temos uma luz e estar acesa não é o suficiente...
Temos de brilhar para poder aquecer os outros mais apagados!!!! :)
Beijika, continuação de um bom niver ;p

Rita PN disse...

Muito obrigada :-)
"Temos de brilhar para poder aquecer os outros mais apagados!!!!" - Estás especialmente inspirado e ternurento hoje! Gostei. É exatamente isso que julgo ser a minha missão de vida.

O mesmo te desejo eu!

HD disse...

Agradecido! *_*

CÉU disse...

Bom dia, Rita (eu faço sempre saudações iniciais, tal como tu agradeces sempre, no final)!

Pois, toda a gente que escreve sente e diz o mesmo. Nada de novo, então.
Eu "obedeço" a algumas regras, porque sou um ser social e não "marginal". Tento não dar erros ortográficos, tal como bem-vindo ou Benvindo (nome próprio), fazer pontuação satisfatória, enfim, agradar primeiro a mim, é verdade, mas não esquecendo os outros, nunca.

Pois não, e caso a vida fosse certinha era uma "pasmaceira", portanto, uns embates e trambolhões, de vez em quando, agitam consciências, fazem descer do pedestal e desempinam narizes. Há dias falava eu com uma senhora de 32 anos, sempre mto ela, mto afirmada, determinada (pensava ela, que o universo gravitava à sua volta. Enfim, não tinha conhecimentos de Geografia, sobretudo Humana), mas, nesse dia, achei-a mais "macia" na forma como se expressava e comunicava com os outros. Disse-me então, que lhe tinha sido detetado, recentemente, cancro na mama, que é diferente de cancro da mama e que agora até dava importância a uma folhinha, que deslizasse na rua. Pronto, a vida ou não sei quê ou não sei quem fez-lhe baixar a "crista". Tarefa "cumprida"! Bem sei eu que há gente boa, sã de coração, desempoleirada, que tb tem doenças graves, mas nesses casos gera-se uma empatia geral e total da comunidade, médica e não médica, e eu sei do que falo, porque pratico voluntariado.

Quanto à tua dissertação, em relação a vencidos e vencedores, entendi, perfeitamente e mal de mim, se não a entendesse, porque uma das minhas licenciaturas é em Línguas e Literaturas Modernas, mas tenho ainda tanto para aprender, ação que todos os dias sucede, graças a Deus.

Eu, sou crente, mas não sei se Lavoisier tinha, totalmente, razão, não sei. Bem, mas "isso" é "coisa" para filósofos e filosofias e a mim interessa-me mto mais o individuo, a pessoa, o seu bem estar e sair da zona de conforto para AJUDAR, quando e sempre que necessário.

Beijos e bom fim de semana.

Rita PN disse...

Bom dia Céu.

Quem escreve e sente o que escreve terá sempre a sua forma peculiar de se expressar. Na literatura, como em qualquer outra forma de arte, a liberdade é o segredo da criatividade. É importante que se seja livre de espírito, livre no acto de pensar e sonhar, de sentir, de criar... A limitação ou a obrigação de obedecer a regras, retira valor e profundidade a qualquer forma de arte. Para a fabricar ja existem as máquinas. Sou, portanto, defensora de que cada qual deve transparecer e expressar aquilo que é, livremente, na forma como escreve. Também Saramago assim o fez, assim como Fernando Pessoa e António Lobo Antunes, que ainda o faz. (Só para deixar alguns exemplos de grandes nomes livres e sem amarras nesta arte).
Respeito todos aqueles que se identificam com as 'regras' e escrevem segundo as mesmas. Apesar de eu, na poesia, não o fazer. Há todo um espaço em branco por desbravar. Porquê limitar-me?
A respeito do benvindo ou bem-vindo, ambos estão corretos, desde a entrada em vigor do novo acordo. E uma vez mais, cada um deverá utilizar a estrutura da palavra que mais sentido lhe faz. Pessoalmente, gosto da união! Em tudo!

A respeito de exemplos e histórias de vida, não sendo o local adequado para o fazer, apenas lhe posso dizer: não queira saber a minha...
Sei o que é a vida e sei o que é ouvir "não sei se esta miúda resistirá". Tinha 13 anos. Sei o que é rastejar, esfolar os joelhos, sofrer, sofrer muito para conseguir, por mérito próprio, ser a pessoa que hoje sou. Garantir que conseguia ajudar a minha mãe nos momentos de aflição para não faltar o pão na mesa. E quantas vezes ela não comeu para nós comermos.
Fora tudo e tudo... E que não vou expor aqui.
Mais humano que o meu coração, não conheci muitos ao longo da minha curta vida. E julgamentos é coisa que não faço. Existe sempre um motivo para uma pessoa ser como é. Eu gosto de entrar na pessoa para a poder compreender. Talvez por isso, sejam muitos aqueles que comigo vêm ter, para que eu retire um bocadinho do meu tempo para os ouvir.
Isso sim é importante. Que importância tem a 'regra' da métrica num poema, quando existem seres humanos que, pelas circunstâncias da vida, não conseguem acender a sua luz interior?
Espero, por isso, que o pedestal que referiu, assim como o nariz empinado, não sejam extensíveis a mim... Alguém cuja história não conhece, tão pouco o dia-a-dia. Quem se diz na prioridade de ajudar os demais, não deverá julgar, mas sim aceitar que existem pontos de vista, formas de estar, vidas, sonhos, motivações, histórias... Contrárias às nossas. E não estou a dizer que a Céu não o faz, estou sim a referir que isso é o fundamental para a tal união de que falei lá atrás.

A Céu é livre de interpretar as minhas palavras através da formação em Línguas, assim como todos os demais são livres de as interpretar segundo o coração e formação pessoal. Uma vez mais, liberdade!

Quanto ao certo e ao errado. Pois bem. Não existe um significado universal. Uma vez mais, são conceitos inerentes a cada um de nós e que assumem a sua posição de acordo com as nossas crenças, ideologias, religiões, filosofias e formas de estar. O que para alguém é correto, para outro alguém poderá não ser. No entanto, ambos poderão estar certos ou errados, simultaneamente.
Liberdade e aceitação.

Grata por nos ter deixado a todos (porque os comentários são públicos e sei que os demais os lêm) o seu ponto de vista. Será sempre aceite e tido em conta neste blog.
Um excelente fim de semana, Céu.

Hipoteticamente

Dista-nos um quarteirão de luar onde, na sombra, os detalhes se ensaiam, os elementos se vestem de harmonia e onde todas as ruas parecem reg...