sábado, 9 de janeiro de 2021

Fado de quem perdoa

É tão suave ao coração a minha mão,
que em gesto nobre se abre
para ti, flor – perdão -- por afeição,
se algum excesso cometi.
É tão simples o que me basta
desta estrada onde colapsa
a minha razão indigente.
Descrente, quem sente,
por leveza e docemente
em caminhos que corri.
Vou sem pressa e adiante,
filha de um acreditar constante
na barca de quem perdoa;
há, confesso, d’outro tempo sem regresso
uma saudade q’ inda ecoa.
E se agora, acaso te vir, perdoa!
Não vou partir, não vou ficar…
no vão do peito, que por defeito
arte faz de te sonhar.


Abro a mão, estendo-a de mim…
- por minha alma clemente -
pelo peito fora,
pelos olhos dentro,
pela demora
sempre que entro
no teu lugar.


Perdoa. 

4 comentários:

Robinson Kanes disse...

Mais que um poema, uma reflexão bem profunda... Gosto!

Rita PN disse...

Olha o meu querido Robinson voltou!

É-o, sem dúvida, para quem o conseguir entender e interpretar para além de.
Foi-me custoso o motivo pelo qual lhe dei forma, mas sei que é por leveza que sigo, e que a seu tempo tudo se perdoa dentro em nós. (Diferente de esquecer).

Obrigada pela visita e um beijinho grande

Robinson Kanes disse...

Vou andando por aí. Nem sempre é fácil comentar e os últimos tempos têm sido complicados, mas sempre que posso, cá esto.

És uma poetisa que vive primeiro e depois coloca em poema, é isso que enriquece muitos dos teus poemas.

Rita PN disse...

Vê pelo lado positivo, é bom sinal a ocupação!
Verdade... Primeiro vivo, depois escrevo. É com nós poetas escrever-se sobre um eu que se gostaria de ser, sobre uma vida idealizada, sobre tudo o que não é mas se deseja. Por vezes também o faço, mas a minha maior inspiração acaba por ser a minha própria vida... com tudo o que isso tem de positivo e menos positivo.

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