Não tenho vagar para te ler,
se teimares em aparecer
entre as letras do jornal.
Nem tenho vagar para ti,
se me vieres com parcas conversas
do dia em que eu te sorri
já com a vida às avessas.
Não tenho vagar para pensar
na tua amarga semântica,
tão pouco para me deixar levar
p’las leis da tua quântica.
Já te disse, não tenho vagar!
Não te atravesses pelo caminho.
A m’nha estrada eu faço-a sozinho
não te quero a acompanhar-me.
Não. Não tenho vagar
para te olhar ao espelho,
já dentro de mim.
Gritei-te: estou bem assim!
Abri a porta e pus-te a andar.
Porque é que voltas,
quando sabes que para ti não tenho vagar?
E aí ficas. À minha porta,
na ombreira de uma vida vã.
Na esperança destroçada
de quem espera sentada
pelo dia de amanhã.
Hoje não tenho vagar
E amanhã também não o terei.
Sempre que estive contigo
Oh tristeza,
para mim foi tempo perdido,
uma história que eu mesmo findei
17 comentários:
"não tenho vagar", há quanto tempo não ouvia/lia isso! 😍
conquistaste-me logo nas três primeiras palavras, trazem-me tantas recordações.
está lindo, Rita! :)
"Não tenho vagar" é tão tipicamente alentejano, não é Queer :)
Fico feliz que tenha despertado e transportado para boas recordações. Assim como fico feliz por teres gostado.
Que não se tenha vagar para a tristeza!
Muito obrigada pelo comentário e um beijinho!
é! faz-me lembrar a minha avó, as minhas férias no Alentejo... obrigada! não tenho palavras para te agradecer por isto. ❤
não, não podemos! temos de ser felizes. e este teu poema vai ficar guardado e ser lido vezes sem conta.
beijinho, boa noite.
oh Rita... estou sem palavras.
adorei
Bom dia alegria!
Maria, muito, muito obrigada!
Fico bastante feliz por teres gostado.
Que também tu, para ela, não tenhas vagar!
Uma beijoca
Está mesmo muito bonito, gostei! =)
Puxa! Um poema com muita qualidade! E revi-me no conteúdo. Ando sem vagar...
Ana, que bom! Muito obrigada pelo comentário. Uma beijoca e um dia feliz!
Minha querida Maria, olha eu toda contente pelas tuas palavras!
Se esse teu "sem vagar "for para a tristeza, ainda mais contente eu fico!
Sol, raio de Sol sua guerreira!!
Uma beijoca
Quando o vagar é pouco e a espera é longa, pobre daquele que ainda alimenta a esperança :-)
Nem diria melhor, Robinson! Tão exacto quanto isso!
Neste caso, pobre é a tristeza, que sentada ainda espera! :-)
"Não tenho vagar" é tão alentejano, adorei. Aliás adorei o poema inteiro, está espectacular Rita, parabéns!
De facto! Expressão nascida e criada no Alentejo! :-)
Muito obrigada pelo comentário, Kikas! Um beijinho
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