Vês-me, à porta de um lugar qualquer, de olhos fechados, sentado no prolongamento dos minutos que te separam do coração.
No silêncio das mãos, que evitas estender, guardas-me em memória, num abraço quente e tardio.
Faz frio, à tua porta... coração com passagem para lugar nenhum.
Vês-me, mas não me olhas.
Claro que ainda tens medo de que eu te entre pelos olhos!
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
Por dentro
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A normalização como absolvição colectiva
Poucas formas de absolvição colectiva são tão eficazes como a normalização. Reconhece-se o problema, permanece visível, continua a ser comen...
2 comentários:
Ou talvez te escondas, e que de nenhuma outra forma te conseguem ver, se não a pensar.
Se te ocultas com um manto, seja ele feito de um qualquer sentimento, os olhos não veem mas o coração sempre sente, e não será de outra forma que ele o fará, se não daquela que esperava sentir. Por isso, quão mais distante nos tornamos, mais o passado encontramos, e, quem te vê hoje sem olhos, observa o ontem o quão bem dele se recorda.
E tu, não sabendo em que tempo te encontras, vagueias naquele que julgas teu, desconhecendo que a memória te leva ao tempo dos outros...
❤🎈😚
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