sábado, 5 de junho de 2021

Cais


No teu rosto há uma praia que começa
e atravessa, sem olhar, em contramão
a rua já com pressa que apeteça
molhar, em ti, os pés do coração.

Entrar devagarinho e sem temer
não ter, no pé, firmeza de enfrentar
o canto das ondas sem perder
o sol de fim de tarde no olhar.

Não esperei naqueles olhos ver-me ser
o casco de um pesqueiro em erosão,
sem norte ou história onde acontecer
no mar, ao solesticio, a paixão.

No teu rosto há um horizonte que começa
e atravessa, sem pensar, a vida inteira
barcos com pressa que amanheça,
em ti, o sol do Cais da Carrasqueira.

Barcos com pressa que se veja,
em ti, nascer-lhes mar a vinda inteira.


 

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