Só se contemplam os caminhos que não atravessamos.
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
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Hipoteticamente
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4 comentários:
E os nossos próprios?
Contemplação pressupõe paragem. Quietude. Silêncio.. Pressupõe olhar para fora e sentir por dentro, pressupõe ausência física de movimento. Tem o seu quê de metafísica, pelo que para contemplar não podemos estar... Não se contempla o próprio ser. Não se contemplam os próprios passos, não se contempla a própria vida. Comtemplas tudo onde não entras. Não contemplas nada onde sejas parte. Os nossos caminhos são pensados. Contemplados só antes de neles caminhares.
Mas e o passado? Se o momento não o contemplamos por estarmos em movimento, e no futuro, mesmo sendo ele incerto e apesar de vindouro, também ele parado (até acontecer, o futuro ''aguarda''), não será o passado, o nosso passado, acontecimento de contemplação?
Muito disso deve-se logo a o passado não ser unicamente nosso, nele há mais do que nós. Não se poderia contemplar o passado, se não por nós, pelos tantos outros que dele fizeram parte?
O passado não seve para ser contemplado. Talvez pensado, mas sempre numa perspectiva de avanço e não de recuo. De todo o modo, somos parte integrante do nosso passado. Por isso mesmo não estamos aptos a contemplá-lo, a menos que saibamos olhar para ele enquanto figura externa. Do futuro não sabe ninguém. Podes apenas sonhá-lo.
Contemplas o outro, a figura, o elemento, a acção externa... Tudo aquilo que não integras.
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