Não trago nada nos bolsos
e a alma é vasta.
Os olhos, outrora vagos, crescem,
emergem, cintilam, transbordam
das margens sulcadas
que me traçam, em cruz, o peito
e a luz:
D'ouro, meus sonhos de sol a sol
descalços, caminham rectos
pela desordem que trago de "lugar nenhum".
Tardias são as ruas
que me devolvem
(já depois de mim)
aos lugares a quem sempre pertenci,
anterior a qualquer transformação
violenta e precoce
e ao frenesim
da inquietação de não caber
no espaço de onde vim...
Porto:
leve e descalça, sem nada nos bolsos,
porque é na alma que tudo carrego.

3 comentários:
É bonito, sentir que se pertence a algo, a algum lugar - Mesmo que não seja ele nosso, ou por mais distante que esteja. Podemos sempre lá voltar, se não em pessoa, em espírito.
Eu de mim não sei, não me são os passos leves e sinto arrastar tudo por onde passo... Sobre isso, não deixarem aqui. Enviei um email para a tua conta pessoal, peço desculpa em te importunar com tal... Mas já não sei o que fazer às palavras, ou que quero dos meus atos.
Não me são os passos leves.
Francisco, obrigado pela visitinha. Tenho estado de férias, não tomei atenção aos e-mails, respondo assim que possível.
Contudo, as tuas palavras são sempre bem vindas. Não saber o que fazer às palavras? Ora, elas servem para serem usadas para transmitir mensagens, comunicar, expressar...
Um grande beijinho e espero-te bem.
É... Servem para tudo isso. E mais, se alguém as souber usar, assim como tu - E que tanto o negas.
Um beijinho, e tudo de bom, também!
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