sábado, 25 de julho de 2020

Reflexão - 24


Só se contemplam os caminhos que não atravessamos. 


4 comentários:

Francisco disse...

E os nossos próprios?

Rita PN disse...

Contemplação pressupõe paragem. Quietude. Silêncio.. Pressupõe olhar para fora e sentir por dentro, pressupõe ausência física de movimento. Tem o seu quê de metafísica, pelo que para contemplar não podemos estar... Não se contempla o próprio ser. Não se contemplam os próprios passos, não se contempla a própria vida. Comtemplas tudo onde não entras. Não contemplas nada onde sejas parte. Os nossos caminhos são pensados. Contemplados só antes de neles caminhares.

Francisco disse...

Mas e o passado? Se o momento não o contemplamos por estarmos em movimento, e no futuro, mesmo sendo ele incerto e apesar de vindouro, também ele parado (até acontecer, o futuro ''aguarda''), não será o passado, o nosso passado, acontecimento de contemplação?
Muito disso deve-se logo a o passado não ser unicamente nosso, nele há mais do que nós. Não se poderia contemplar o passado, se não por nós, pelos tantos outros que dele fizeram parte?

Rita PN disse...

O passado não seve para ser contemplado. Talvez pensado, mas sempre numa perspectiva de avanço e não de recuo. De todo o modo, somos parte integrante do nosso passado. Por isso mesmo não estamos aptos a contemplá-lo, a menos que saibamos olhar para ele enquanto figura externa. Do futuro não sabe ninguém. Podes apenas sonhá-lo.
Contemplas o outro, a figura, o elemento, a acção externa... Tudo aquilo que não integras.

Hipoteticamente

Dista-nos um quarteirão de luar onde, na sombra, os detalhes se ensaiam, os elementos se vestem de harmonia e onde todas as ruas parecem reg...