Aproxima-te, de mansinho,
suave e devagarinho,
descontraidamente, como quem mente
ao silêncio que me consome
a alma nua.
Desfolhada que a vida me fez...
rosada tez, pétalas de saudade
que um dia vã se fez,
na incerteza da hora.
Aproxima-te, de mansinho.
Traz o dia, o sol e as manhãs risonhas.
O chilrear das aves lá fora
e o som do mundo.
A junção de todas as notas da vida
a bater na vidraça.
Aproxima-te, devagarinho
para que eu não te veja chegar
e ocupar o lugar vago, inabitado...
onde o meu peito faz leito,
e por esperança, a seu jeito,
não renúncia sonhar.
Suave e de mansinho.
Devagar, devagarinho...
Para que o soalho de sonhos não ranja
e constranja - sem querer -
as notas vivas do choro de uma criança
que compõem o amor, ao nascer.
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