Incógnito pelas ruas,
refugiando as mãos nos bolsos,
segue, sob o olhar atento da gula,
visível nos olhos da noite corrupta.
Habilmente tricotada em torno do pescoço,
tráz enrolada, nas voltas da vida,
a cascavel adormecida
que aquece e incita a mordida
envenenada; picada da língua afiada
no eixo certeiro do passo contíguo
de quem, sem nó de gravata,
no caminho honestamente se atravessa.
Sobre a calçada endurecida,
já muitos tombaram heroicamente,
à luz do candeeiro por interesse atenuado,
cansado que estava o rigor do país.
Exarcebado, fez o povo garrote
na própria perna e seguiu...
pela via da verdade, que o viu,
denunciar, em contra-mão,
quem não caiu, em falso passo, na escuridão
da intérmina auto-estrada da corrupção.
10 comentários:
A corrupção já não usa colarinho... Até já veste t-shirt...
Verdade, meu caro. Verdade... Tempos modernos, já dizia o outro.
Omnipresença?
Mesmo sem colarinhos... este sentimento de impunidade ainda calcorreia as nossas calçadas... -.-
Isso faz-me lembrar aquela ideia de que muitos dos novos "players" que não usam fato e gravata mas andam descontraídos são tudo boa gente, nada cinzentos e todos "yeah" e humanos... Alguns sim, mas muitos não...
Na verdade, a corrupção anda nua (e sorridente), bem à vista de toda a gente. E tal como tudo o que é recorrente, considera-se normal e banaliza-se. Já nem necessidade tem de se cobrir.
Por vezes, acho que não queremos é que as coisas se saibam... Não queremos mudar as coisas para melhor...
E assim continuará a ser, infelizmente. Calçada portuguesa...
Como dizem os antigos no Alentejo "filho, isso dá-nos muitas fezes. Não te apoquentes."
Dá muitas "fezes" e podemos ser encontrados no meio delas...
Essa é que é essa.
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