sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Ser-se mais qualquer coisa

Primeiro esgotaram o tempo
sem parar e tirar o relógio.
Esses que vivem agora sem espaço
cronológico.
Seguem já sem propósito
não sonham, não sentem
não falam só mentem
a si próprios, devastados.
Seguem a corrente de gente
que se diz cansada
de ser quem é! 
Já sem querer ser mais qualquer coisa.

Sabem lá de si,
do tempo e do espaço onde ficaram
os sonhos que nem começaram
a sonhar. – Quanto mais a viver. 
Ouvem e repetem como se fossem suas
todas as queixas
todas as deixas
de alguém que as escreveu para se expressar.
Já não sabem sentir. 
Já não sabem pensar. 
Já não sabem falar por si. – Há que citar
quem ainda vive, ou viveu 
com tempo para ser mais alguma coisa.

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2 comentários:

Robinson Kanes disse...

Poesia contemporânea... Realista e que tem de se fazer ouvir... Acabou a época dos floreados e do discursos bonitos... Isso não resolve os problemas da sociedade actual...
Gostei, claro :-)

Rita PN disse...

"acabou a época dos floreados e do discursos bonitos... Isso não resolve os problemas da sociedade actual..." - Eis a vedade. É urgente que a forma de atuação e os discursos sejam adaptados à evolução dos tempos e que encerrem, em si, a dureza necessária ao efeito a que se destinam.
Eu limito-me a "desabafar" as minhas visões desta forma, por vezes mais agressivamente poetizadas.
Obrigada pelas tuas sempre construtivas e pertinentes interveções :)

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