quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A Morte da Verdade

Ninguém a viu morrer…
Em contra luz, cegueira acesa e mesa posta
ao redor sentados, desgarrados e embeiçados
pela hipocrisia de bem parecer.
Ninguém a viu morrer…
Só. Num jardim que definhou
sem gota a gota de amor regado
e onde só a trapaça medrou,
num canteiro que se quis florido,
mas desde logo ferido
pela lisura que não viu.
Em cada cravo, em cada rosa
uma pétala arrancada,  
imoralidade marcada pela desonestidade de ser.
Ninguém a viu morrer…
quando ávidos, das suas lágrimas beberam
e do seu corpo comeram
- cansado e ferido -
apodrecidos que estavam,
de coração desnutrido e alma salobra.
Ninguém a viu morrer…
afogada no rio de lodo
de patranhas e engodo,
onde todos lavaram as mãos.

Ninguém viu a verdade morrer.

5 comentários:

Robinson Kanes disse...

Este é um verdadeiro murro no estômago. Muito bom e bastante actual! A poesia a acompanhar os tempos...

Rita Palma Nascimento disse...

Muito obrigado meu caríssimo sábio! É sempre uma honra receber os teus elogios por aqui.
Quanto ao murro, pois bem, para alguns será. Mas também fazem falta, de quando em vez

Robinson Kanes disse...

Ora, nada que agradecer. Se fazem... Se fazem...

Rita PN disse...

E não matam ninguém, antes pelo contrário!

Robinson Kanes disse...

:-)

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