Hoje levo-vos novamente ao baú. Recuemos aos meus 15 anos... Sonhar, sonhar, Sonhar!
Não sei porque escrevo,
porque sonho as letras,
porque canto as vírgulas,
ou porque ondulo nas frases
sem nunca chegar a um ponto.
Não sei porque vivo um texto,
nem porque desejo um conto
que nunca começa nos Às,
tão pouco termina nos Zês.
Não. Não quero parar!
Quero continuar a saltar
barreiras de capítulos;
escalar páginas sem cume,
remar ao sabor das sílabas
que ardem no meio do lume.
Quero partir das reticências,
sem nunca alcançar os dois pontos.
Trepar interrogações,
abraçar as exclamações…
e sem perder o ritmo,
escrever milhares de contos.
Quero casar com os nomes,
e ser íntima dos verbos,
quero namorar os pronomes
e fazer dos determinantes meus servos.
Quero ser chefe de imprensa
e quero, para sempre, sucumbir ao Poeta.
Quero uma prosa imensa,
não quero um ponto na meta!
Já li toda a Epopeia
e escreverei duas ou três,
sem perder a consciência
que no meu sonho de menina
era tudo "Uma Vez"!
21 comentários:
tu tem juízo! 15 anos? Parabéns!
Verdade, uns meros 15 aninhos! :)
Foi com este que a minha professora de Português da altura, deu a conhecer a meio universo escolar os meus dotes de aprendiz de poeta e me quebrou o, até então, anonimato artístico.
Ainda hoje estas palavras me definem... E é engraçado quando atualmente digo que adorava trabalhar numa redação de imprensa e, ao voltar 13 anos atrás, constato que escrevi exatamente isso "Quero ser chefe de imprensa". Talvez soubesse mais do caminho nessa altura, do que o sei à data de hoje...
Juízo tenho para dar e vender! Se fizeres a campanha de marketing temos negócio ahahaha
Obrigada Rob :)
Então porque não correr atrás?
Embora não seja tarefa fácil, se quiseres ser uma chefe de redacção com ética e focada no que realmente interessa.
Na altura talvez achasses que sabias qual era o caminho. Hoje, podes não saber, mas podes sempre reflectir com outra maturidade…
Na altura já era quem hoje sou... Embora ainda acreditasse muito na teoria de que basta acreditar e querer muito. Hoje, sei que os meios em que estamos inseridos nos condicionam parte do caminho. Hoje sei que as experiências de vida nos ensinam bastante, mas não são suficientes. Hoje sei que há desvios aos quais nos sujeitamos, porque nada é tecto nesta a vida. Hoje o sei
o que não posso olhar tanto para o que está além da curva da estrada, se é antes dela que me encontro. Hoje sei que sem sonhos não se vive, mas que não podemos apenas viver dos nossos sonhos. Hoje sei que não basta correr, ter uma performance excelente, uma preparação sofrida e nunca desistir por mais longe que esteja a meta. Hoje sei muita coisa que há dias em que gostava de não saber. Hoje tenho bagagem, que às vezes gostava de não ter. Hoje tenho o mesmo cérebro inquieto que sempre tive e continuo a sentir que apenas vagueio na vida, por mais que seja o que já consegui (mas que forças externas caiu... Por mim se voltou a erguer... E que novamente vi tombar pela força das tempestades).
Eu querer queria, mas... Hoje sei que mais do que querer e fazer, é preciso ter a sorte de conseguir chegar. Essa sorte que por vezes se veste de pessoas, de padrinhos, de meios, de cunhas, de mãos estendidas ou simplesmente dela própria.
Alguma coisa hei-de estar a traçar, o quê? Ainda não sei...
Que maravilha, Rita!
Muito obrigada, querida Fashion! Uma beijoca
como é que é possível? 15 anos? nah... magnífico!
Tenho provas, tenho provas :)
não precisas. :) mas é de uma maturidade...
Não posso crer... :)
Ai isso é que podes :)
Estou extasiada!!!
Beijinhos, querida.
Tão grata que te fico :) Obrigada sapinha Uma grande beijoca*
So it seems... :D
:D Há coisas que não se ensinam, nem se aprendem. Já nascem connosco, apenas são aperfeiçoadas. A poesia é uma delas :)
Era eu ainda tão menina quando a descobri...
Tenho mesmo de concordar contigo... ainda tens uma margem de progressão do tamanho de uma vida :)
Uma caminhada que nunca finda, porque a perfeição jamais será atingida, por mais anos que se viva, por maior que seja o empenho, por mais que as experiências nos façam crescer, por mais que a criança quem em nós vive permaneça genuína... e ainda bem. A perfeição é monótona e maçadora. E eu considero as lacunas bastante importantes, primeiro porque só o espaço vazio poderá acolher o que novo vier; segundo, porque as mudanças precisam desse mesmo espaço para acontecerem; terceiro, porque é no caos que as transformações ocorrem e se não houver espaço livre para a reorganização interior, colapsamos. Toda a progressão precisa de margem, e toda a margem precisa de espaço para poder existir :)
Enquanto houver espaço, haverá poesia!
Essa tem sido uma grande falência de muitos jovens e adultos actualmente: acreditar (e isso também foi perversamente vendido) que basta querer e as coisas acontecem. Anos e anos de História ensinam-nos que não é assim! Ao invés de trabalharmos nos instrumentos para combater o eventual fracasso ou a ausência de meios/relações, continuamos a vender sonhos...
Quando entras nesse modo de intensidade... não tenho fôlego, para te responder :)
Realmente, é capaz de ser necessária uma boa caixa toráxica para que se consiga mergulhar nas minhas profundezas :P Não quero ninguém a morrer afogado nem asfixiado :P
Ainda estou a respirar ;p
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