Letárgico olhar citadino;
sudoríparas águas do Tejo.
Fundem-se Tágides e humanos
sem pudor, no calor do inferno.
Corpos e ninfas, mortais mitológicos
que no fulgor da carne humana,
derretem vorazmente e à viva chama
o primórdio cântico de Camões
em "fúria grande e sonorosa",
numa cama condenada ao deserto.
Depois do fogo, só as cinzas.
E o incerto.
26 comentários:
lindo...
Só as cinzas e o incerto… por vezes sabe tão bem um fogo...
muito bonito, Rita! :)
Obrigada meu doce! (:
Muito obrigada Queer!
Um fogo que aquece? Um fogo que queima? Ou um fogo que destrói e tudo finda? Talvez os 3 nos sejam necessários, nas alturas devidas.
Neste caso foi o fogo final. Ficaram as cinzas e o destino incerto das almas humanas no reino de Hades, a aguardar julgamento.
Muito bom, fiquei com um saudosismo dos Lusíadas :)
Muito obrigada HD!
Os Lusíadas serão sempre os Lusíadas. E Camões, dúvido que nasça mais algum! :-)
Riquezas nossas e sem igual!
Uma beijoca!
"E o incerto", concordo. Deveras assustador, mas abnegado por muitos.
Bjs
Wauuu, espetacular, Rita! Parabéns!
Beijinhos.
Querida sapinha, muito obrigada por tão grande elogio a estas palavras!
Uma beijoca
PS: amanhã já é quarta, o dia mais doce da blogoesfera, ou não fosse a sapinha Kalila abrir-nos o coração! (fiquei super contente de ver o teu post destacado! Confesso, é o meu preferido!)
Se tudo fosse um dado adquirido, ou repleto de certezas, que valor teria a vida?
É importante que existam incertos, depois, recomeços, dúvidas, medos... afinal, "... é do caos que nascem a estrelas!"
Neste caso, as almas humanas aguardam, no reino de Hades, o seu julgamento e posterior (e ainda incerto) destino. Depois do fogo da vida. Depois das cinzas da morte.
Muito obrigado por passar por aqui e deixar o seu comentário :-)
E ainda hoje continuam a aguardar esse julgamento...
És uma querida! Obrigada.
E por lá continuarão. Assim como por cá... apesar de, por aqui, ainda permanecer a esperança de que o processo de acusação prescreva e a devida pena não lhes seja aplicada. Existindo também, a possibilidade de corromper a justiça. Ou simplesmente, ter a sorte (ou azar) de que ela não seja feita.
Porém, há uma sentença da qual ninguém se salva. Aí, depois do fogo da vida, só as cinzas. E para quem acredita (que não é o meu caso, mas poesia é poesia), o incerto a ser julgado noutro reino.
A nossa verdadeira riqueza literária :)
Beijinhos, Rita!
Talvez seja essa esperança de contornarmos a justiça nesse outro reino que nos leva a adiar o julgamento das nossas acções.
Robinson... Agora é que tu tocaste num ponto... crítico!
Falta-nos parar e pensar, falta-nos ouvir a voz da consciência, falta-nos por travão na ambição e olhar à nossa volta. Falta-nos ser juízes de nós próprios, ser capazes de julgar as próprias ações, cumprir a pena e não recorrer de forma recorrente ao nosso advogado de defesa.
Falta-nos auto-análise. A vida que se leva é o eco das ações passadas. E o presente é um óptimo espelho de quem nos tornámos. E quando não gostamos? Colocamos filtros... iludimos os outros? Não. Iludimo-nos a nós. E continuamos os mesmos...
Não temos tempo para pensar, ou alegamos a falta dele como forma de desculpar a nossa incapacidade (ou falta de vontade) para o fazer...
Assino por baixo ;-)
Obrigada Robinson por sempre que aqui passas, deixares a verdade escrita!
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