sábado, 5 de março de 2022

Nem sempre vencer batalhas significa vencer a guerra

 

A Rússia, sabemos, é mais forte em armamento, é sua a supremacia aérea, gozou do factor tempo, ganho inicialmente, mas perdido à medida que se movimenta e infiltra no interior da Ucrânia (a morosidade das colunas de abastecimento militar fragilizam a resposta Russa e determinam a vulnerabilidade das tropas no terreno), poderá conseguir controlar e dominar cidades ou partes do território Ucraniano, como temos assistido, mas… não conseguirá, me parece, segurar o território conquistado. Não por muito tempo. Não contra a união soberana de forças de um povo.

Primeiro, porque não se preparou para a resposta imprevista do Ocidente, no apoio à Ucrânia. Esse Ocidente que, aos olhos da Rússia, sempre se preocupou mais em olhar para si próprio, de forma individualista, do que em falar a uma só voz, unanimemente. Apesar da certeza de Putin de que não existira intervenção da NATO em território Ucraniano, muito por receio de uma rápida escalada do cenário para guerra nuclear. Certeza essa que levou a outra, a de que a Europa empurraria as trincheiras do conflito para o interior da Ucrânia. Depois, porque teve por garantida a dependência ocidental de petróleo e gás russos, o que, à partida, limitaria a probabilidade de países como a Alemanha assinarem sanções pesadas contra o regime russo. E claro, não ponderou a possibilidade de um boicote económico à Rússia. Mas aquilo para que Putin verdadeiramente não se preparou, nem se conseguiria preparar, chama-se resistência da Sociedade Civil, quando, um pouco por todo o mundo, se levantam vozes manifestamente contra a invasão da Ucrânia. Até mesmo no seio do país invasor, onde os militares não são excepção.

O patriotismo e nacionalismo dos cidadãos Ucranianos, na defesa do seu território, tem sido uma lição para todos nós. A resistência, a resiliência, a força e o esforço (sobre)humano, contra um colosso e a barbárie, contra a anulação de um direito básico, a autodeterminação dos povos. E é aí que a guerra se ganha ou se perde, não nas batalhas.

É aí que o Homem se vê.

 

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