Todos somos (teoricamente) livres e toda e qualquer liberdade termina onde se inicia a liberdade do outro.
Somos livres na visão e interpretação de discursos, sejam eles de índole política ou de outra coisa qualquer. Vemos e ouvimos o que queremos, como queremos ou como podemos, condicionando-nos tanto ou quanto nos auto imposermos barreiras e limitações (ideológicas, sectárias, religiosas, clubísticas e daí por diante).
Em ano de autárquicas, discursos não faltarão, em campanha ou fora dela, que os haverá para todos os ouvidos. Uns assentes no que "está por fazer", outros cuja âncora os agarra e fixa no combate aos demais, com maior ou menor dose de críticas, insinuações, mal dizeres, injúrias, meias verdades, deturpações da realidade e outras que tais. Faz parte e sempre assim aconteceu. Certo é que olhar-se mais para trás do que para diante não nos fará, nunca, sair do mesmo lugar. E, evoluídos que estão os tempos, diminuir para se ser maior não é mais do que pura ilusão de óptica, para além de feio. Contam-se os anos nesse registo. Perde-se a conta. E talvez estejamos fartos. Fartos de combates de ego e de lutas campais. Talvez queiramos acção, trabalho na melhoria da cidade, do território, das instituições e das pessoas, propostas concretas e exequíveis, serviço à população, crescimento da região, desenvolvimento, abertura, inovação, juventude (a lista continua). Talvez...
Nenhum mal dizer supera outro, todos se diminuem. Andamos, há décadas, a fazer o mesmo e nada se aprende, nada avança e estamos (generalizando, sim) cada vez mais mesquinhos, medíocres de credibilidade e a perder perspectivas (logo, a ver a direito e de forma limitadora). Tudo isso já foi fei(t)o.
Sou sincera, gostava de ouvir, uma vez que fosse, durante o período de campanha, discursos de respeito, construtivos, disruptivos, abertos, de visão e focados naquilo que a cada um compete, sem cair no facilitismo de rebaixar, difamar, usar, citar o nome ou falar dos "outros", sejam eles quem forem (porque os “outros” também o seremos nós, numa ou outra ocasião).
Serve, o desabafo, para todos. Não adianta tentar conotá-lo a nenhuma das partes, a não ser a mim própria. Porque sou e permanecerei de pensamento livre.
Se todos souberem respeitar o seu lugar e o lugar do outro, discordando ou concordando nas ideias, ideais, visões, crenças, pensamento, será sempre possível o diálogo construtivo, a tolerância e o respeito mútuo. Pensar-se diferente é positivo. Dos confrontos de ideias (levados com seriedade e assertividade) pode nascer o novo, a solução, a possibilidade ou abrir-se um qualquer caminho não vislumbrado ou tido como possível até aí. Certo é que pensar e fazer pensar é (e sempre será) um acto de altruísmo.
É preciso saber aceitar que todos são necessários, que há lugar e espaço para todos, mas que dentro desse espaço existe também o de cada um, assim como a sua liberdade (que não deverá ser posta em causa nem condicionada, como por vezes acontece através do silenciamento, afastamento, injúria, ofensas, críticas, complôs, esquemas, ...).
É dando-se ao respeito e respeitando que se é respeitado.
Que saiba levar o caminho assente nessa premissa.
Bom trabalho e boa sorte a todos!

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