e as ruas abriam portas a quem vinha,
as janelas não tinham portadas.
Tudo era visto!
O mundo desembocava nas praças
e as estradas davam graças
aos viajantes descalços, sobre a vida.
Do mapa, a textura de todos os caminhos
e o cheiro da terra desconhecida.
No tempo em que ainda éramos casa
e o sol encontrava a lua no patamar das escadas,
o céu não se cruzava tantas vezes com o chão.
A vida era grande, de tão pequena
e as noites nasciam nos quintais.
As notícias traziam versos
e os jornais sabiam a data do teu nascimento.
As portas sempre abertas para o mundo
que terminava no princípio da rua.
Ali, onde a casa éramos nós.
Nós na casa.
A casa em nós.

Pintura de Flávio Horta
"Porta e Soleira", acrílico sobre tela, 2004
4 comentários:
A casa em nós, muito bonita a tela conheço o pintor.
Lindo!
Muito obrigada
Muito obrigado em nome dos dois.
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