1- Não existe meio milhão de fascistas em Portugal. Isso é utópico.
2 – Do eleitorado de AV, uma percentagem significativa não provém de fieis seguidores, do fanatismo pelo líder, da inflexibilidade extrema e ideológica, nem dos menos capacitados para a análise e conhecimento que facilmente se deixam levar pelos discursos fáceis e ideias feitas à medida dos seus destinatários. Uma grande percentagem dos votos de AV provém da falta de alternativa política, de uma direita coxa e que desagrada aos seus militantes, da ausência de candidato PS ou apoiado pelo partido (sobre o qual recairá sempre o peso de ser um fundador da Democracia, recaindo também, sobre o mesmo partido, a responsabilidade de não ter apresentado qualquer candidato numa altura crucial para o país e para a sua Democracia), alguns votos de protesto e muitos provenientes de uma esquerda desgastada que tem vindo a deixar os seus territórios de força e históricos votados ao abandono e à descrença.
3- O resultado de Ventura, conseguindo o segundo lugar em 12 dos 18 círculos eleitorais, é demonstrativo do desagrado português, face às políticas instituídas, ao exercício do poder governamental dos últimos anos, ao abandono do interior do país, à constituição, organização e inflexibilidade dos partidos existentes, dos jogos de interesses, das coligações afáveis e ausência de oposição firme, entre outros aspectos que todos conhecemos. Um resultado que faz pensar e a isso nos obriga (finalmente?)
4- AV é um estratega, malabarista e inteligente. É, muitas vezes, o próprio e o seu contrário. Perigoso, também. Mudará a sua estratégia quantas vezes isso lhe vier a ser mais conveniente. Num cenário de legislativas, vejo-o numa aproximação carinhosa a Rio. Não o vejo, porém, a fazê-lo com Passos, assim decida regressar. O perigo não reside no seu fiel eleitorado, mas sim nos restantes, que como sucedeu ontem, procuram a alternativa ou o protesto, sem que seja possível medir a consequência da escalada de eleitores silenciosos. Esses sim, poderão colocar o partido no poder, ou com algum (demasiado) poder. Cabe aos restantes partidos reflecir, inverter caminho, corrigir erros e olhar para o seu eleitorado de forma digna e respeitosa, a fim de evitar outros males (irreversíveis).
5- A derrota é da esquerda, mas o PSD não pode reclamar a vitória de MRS, dado este ter sido eleito num cenário de igualdade de votos vindos do PS e PSD. À direita urge restruturação.
6- Não se combate o extremismo, seja ele qual for, com insultos ou força. Antes, com educação, respeito, literacia, educação, acesso à cultura e ao conhecimento, com transparência, verdade, combatendo a pobreza e estando presente sem atacar o espaço alheio. Só desta forma será possível, aos indivíduos, pensar e ter bases para reflectir e concluir sobre aquilo que consideram ser o seu caminho, ideias e ideais.
7- Vergonhoso foi verificar durante toda a campanha, insultos de parte a parte, à excepção de MRS. O exemplo é contagioso.
8- A respeito do Alentejo, mantenho a opinião escrita no post anterior. Tal como as redes que financiavam o PCP se sediavam no Alentejo, a grande rede que financia AV também aqui se encontra sediada, permitindo que a região lhe sirva de base estratégica e de fortaleza protectora. A força impulsionadora é relativamente fácil de conseguir por aqui. Isto permitirá um fortalecimento para galopadas maiores num futuro próximo, rumo ao domínio do interior do país. (Que bastante fustigado se encontra).
Ainda sobre redes, e apenas para clarificar, todos sabemos onde se encontram aquelas que financiam partidos maiores. Não é novidade que sempre existiram, existem e existirão.
9- Ana Gomes foi a mulher mais votada de sempre em eleições presidenciais em Portugal.
10- Escusadas serão as tentativas de conexão da minha pessoa a qualquer que seja o partido, porque como diz a minha mãe “o partido da Rita ainda não existe”. Cuidem-se e não se maltratem gratuitamente.
6 comentários:
Não existe meio milhão de fascistas em Portugal. Isso é utópico.
infelizmente temo que seja utópico mas por defeito. parece-me que serão muitos mais (por convicção, por ignorância, por comodismo, por leviandade...)
Cecilia, compreendo. Mas ser fascista é outra coisa.
Ser fascista é muita coisa - e por isso, o crescendo que se vê.
De facto... E mais não digo... Enquanto ainda chamamos fascismo à coisa, não vamos vendo o que está à frente dos olhos...
Pois bem meu caro, de acordo contigo... Veja-se, não apenas se olhe.
O Alentejo gritou: basta de abandono, promessas e mais promessas, sem justiça , educação, nem comunicações, só florescem as aldrabices e corrupções.
Boa noite!
Enviar um comentário