A ti, Porto:

Enquanto não existe amanhã...
Percorro-te, cruzo-te as esquinas e absorvo cada rasgo de luz. Entre ruas e ruelas, travessas escondidas, calçadas imersas em sonhos maiores.
Ao descer a Avenida sou pequena. Tão pequena... e tu imponente, escultural, perfeito de ambos os lados, Aliados.
Alegre, passeio p'lo Passeio Alegre, onde me levam os carris de histórias tantas, do Infante até à Foz, dando voz a tempos idos. Elétrico caminho, assim, devagarinho, para te apreciar mais um pouco.
D'ouro são as àguas que D.Luís atravessa, unindo-te à outra margem, de onde volto a contemplar-te como uma criança à janela. (Nova tela a aguarela.)
Aos Rabelos confias o sangue, num brinde de mundo, e assim te bebes, Tawny ou Rubi.
E se a Gaia muito confidencias, o encanto volta a ser teu: sem palavras para a Ribeira, perco-me na tua beira e guardo-te no olhar...!
Sei que à Foz já vos levei, porém não vos falei do mar atróz e fascinante. Silêncio! Só se ouve o teu canto, cem turistas num recanto ao abrigo de um farol. Intimidados com tamanha rebeldia, tiram-te mais uma fotografia, e agradeces, rebentando.
Tens a Música em Casa e na Lello as tuas histórias, em Serralves o pulmão, a Arte no Rivoli e a frescura no Bolhão. Santa Catarina sobe e desce, até á hora em que adormece e se muda a direção.
E à luz do Sol ou pelo mistério da Lua, eu já me sinto tua e não me canso de ti.
Por ruas, ruelas e calçadas o teu encanto nunca se apaga, seja de dia ou adiante... e já é de madrugada.
4 comentários:
Muito bom!
Muito obrigado, Rui.
muito poética esta sua alegria a falar dessa cidade nortenha.
De facto, o Porto é, para mim, Poesia! Um beijinho
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