sábado, 3 de agosto de 2019

Nas contas da vida

Ao início tudo se SOMA:
os amigos, os sonhos, as festas, as experiências, as emoções, as paixões, as ambições, os vícios do que, na altura, temos por prazeres, as celebrações, os amores e desamores, os lugares…

A vida celebra-se diariamente, assim como a idade, até ao momento em que preferimos trocar a intensidade do fôlego com que apagamos as velas a mais, pela intensidade do sabor da liberdade da SUBTRAÇÃO, da paz, da alegria e do bem-estar pessoal.

Diminui o tempo dedicado a situações que, outrora, nos pesavam e nos retiravam tempo, espaço e disponibilidade mental. No patamar do "já pouco importa", o grau de importância dos nossos interesses sofre metamorfoses e tudo o quanto não nos acresce começa a perder lugar. Ao invés, aumenta o valor que atribuímos à capacidade de apreciar, de forma mais selectiva e apurada, o que de melhor a vida tem para nos oferecer.

As pequenas coisas conquistam um espaço maior e um lugar especial em nós, sendo que, até nos dias mais pequenos, se começa abrir espaço para que caiba muito do pouco que realmente valorizamos: a partilha, as boas conversas, as pessoas certas, os verdadeiros amigos, a compreensão e aceitação da sinceridade das emoções e sentimentos, os passeios, os lugares que nos fazem, os afectos, os hobbies de que gostamos, os livros de que precisamos, as músicas onde viajamos, os filmes, os jantares ou almoços onde nos demoramos o tempo suficiente para degustar o que de mais simples e genuíno a vida tem para nos oferecer.

Porque no final, quando o tempo escassear, o que nos resta é a capacidade de poder ter estado (estar e ainda poder permanecer) nus, perante o lado mais puro da vida.

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O resultado da subtração tem agora, em nós, um valor superior ao da soma.

 

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