sábado, 22 de setembro de 2018

(Des) ilusões

A sala está vazia, quase tanto como a fotografia do homem que não se revela.
Não entro. Não tenho espaço em lugares ausentes.
Uma certa estranheza, sinto que a vida não passou por ali.


Transborda uma história, por meia moldura ja cansada. Se a fixo, esvai-se num ápice, sem que o ângulo do instante ancorado em mim possua tempo e me recorde, página por página, o album que nunca se fez. Afinal, do enredo nu e vazio, só eu me vesti de verdade. 


 


O nada é lugar suficiente para arrumar as memórias que não se fizeram.


 

2 comentários:

P. P. disse...

Ah,
Na última sessão de psicoterapia disse algo semelhante...

No espaço a que me referia, há vida (ou ouve?)
Os retratos assustam-me. São passado presente. Vivo as suas histórias. Simultaneamente, fujo...
Bjs

Rita PN disse...

Todos passamos por emoções e situações semelhantes, ao fim ao cabo. A vida é cíclica... e o que sentimos é humano, apenas isso...

Aqui retrato uma história de mentiras, que por isso mesmo, considero não ter existido. É como uma sala vazia em mim. Um bocadinho de vida em branco, onde tudo o quanto possa recordar é nada...
É folhear um álbum de fotografias onde só o meu rosto se mostra, tudo o mais é névoa desfeita.
Sabes aquela necessidade de pular um capítulo? É isso que sinto. Necessidade de pular um ano e meio da minha vida, sem ter que voltar. Não aconteceu. Não há lá nada. Foi mentira. A meia moldura está gasta e cansada e eu sou inteira. (ou tento refazer-me).

O nada é, por isso, o melhor lugar para guardar coisa nenhuma.

A vida é dura, PP... valha-nos aquela luzinha interior.

Hipoteticamente

Dista-nos um quarteirão de luar onde, na sombra, os detalhes se ensaiam, os elementos se vestem de harmonia e onde todas as ruas parecem reg...