A escrita é uma reta que me toca na curva, sem me cortar e com a qual partilho todo o universo de um ponto em comum. A escrita é uma tangente de mim.
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
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11 comentários:
Para mim a escrita é uma curva, saindo da reta que me pertence. É sair da linha que sou para ser outra coisa qualquer, sem fim, abrangendo grandes proporções de oportunidades que uma reta não encontra.
A escrita é uma prolongação de mim :)
Geometrias matinais :)
Tu és uma recta? Olha que eu julgo que não. Daqui por dez anos, quando tiveres a minha idade atual, terei curiosidade em saber se ainda interpretas a escrita como sendo a curva para além da recta que te consideras. Até lá deixa fluir, usa e abusa dela para o que bem entenderes. Experimenta-a ao máximo. Cria tudo quanto possas. E daqui por uns tempos volta a ler tudo o que escreveste até aí.
A escrita é um prolongamento do teu Eu, mas é também parte dele. E partilham muito. Seguem rotas semelhantes, por vezes tangentes ou paralelas, mesmo que não te apercebas ainda.
Haverá de acontecer um dia fechar os olhos e continuar a caminhar. É engraçado esse lado do ser humano, que se 'desvia' do seu percurso quando não tem nenhum, vagueando naturalmente, quase como se fosse destinado a isso. (É também a realidade que andarmos de olhos fechados nunca conseguimos fazê-lo em reta).
Eu, por ainda não me deixar levar nas palavras que digo, ou mesmo oiço, penso que ainda estou no processo de criar a minha base, a calçar os sapatos, a hidratar-me para uma longa caminhada que ainda só a planeio, no dia de hoje. Acredito ainda estar a aprender a andar, e por isso faço-o da forma mais amadora e segura, mas um dia acredito que haverá, um dia em que correrei atrás das minhas palavras.
Um beijinho :)
Aprecio em tons humildade de colocares sempre em causa, perante um futuro que ninguém conhece e perante tudo o quanto nos transcende. Essa é também uma base para a aprendizagem é uma abertura ao conhecimento e transformação.
Quando dizes que ainda estás a aprender, é verdade. E estarás sempre. O ser humano não é bestatico e imutável. O ser humano faz-se de uma contínua evolução e transição entre estados, vivências, momentos, etapas, circunstâncias, etc... Todos passamos por metamorfoses e ninguém, jamais, poderá dizer que já aprendeu tudo sobre alguma coisa e estagnou aí.
Todos quantos se questionam e interrogam, evoluem. Não existe, creio, uma resposta final. As questões sucedem-de. E o segredo é saber fazer as perguntas, não ter em si as respostas. Essas, procuram-se para que possamos continuar a caminhar.
E que façamos as nossas próprias questões, e não nos iludamos a percorrer questões e as suas devidas respostas que não correspondem àquilo que realmente andamos atrás.
Os outros, sim, são uma valiosa fonte de conhecimento e orientação, mas pegadas no chão mostram mais que o caminho que alguém percorreu, mas sim a direção dele.
Se esse caminho nos agradou, se as pegadas desenhadas na areia que lê-mos levaram àquele individuo a alcançar algo que nos faça vibrar de puro entusiasmo, então que se olhe o chão marcado, e que se deixe as nossas ao lado, não percorrendo o mesmo caminho, mas a mesma direção.
Que sejamos mais únicos a cada passada, que nos afastemos mais de cada percurso!
É por isso que me considero uma reta, pois piso as pegadas tão bem delineadas no chão, e fazer as minhas ainda está só em palavras, e não na prática.
Não quero para sempre continuar assim, pois, como uma vez ouvi, abrindo-me tão bem os olhos: Se eu souber o que irá acontecer no futuro, então eu já tive isso.
Foi coisa que me fez refletir, e muito, naquilo que realmente quero. Se continuar a saltar entre pegadas marcadas no chão, minuciosamente para nem sequer desajeitar a areia, então não vale nem a pena continuar. Não iria ser eu no final, mas sim quem tanto segui.
Procurar um futuro, ou ambicionar, ou mesmo sonhar com aquele que queríamos, não havia o prazer de o ter. Sim, claro, os seus primórdios dias, gloriosos! Mas e depois? Seria tudo como queríamos? Teríamos tudo antes de ter, os sonhos perdiam-se pois em realidade tornaram-se, e a vida não havia, pois não estávamos a viver...
Respondo-te com uma passagem de um texto meu "A Guerra não cabe numa caixa de sapatos", se quiseres ler, está no separador "artigos" aqui no blog:
"Nunca o conforto dos pés – em caminhos que não são os nossos - deverá suplantar o conforto da vida. É no desgaste das solas que o Homem se vê. "
Podendo acrescentar que mesmo que se calcem os sapatos de outrém, jamais as pegadas deixadas serão as mesmas. Cada um faz (ou deve fazer) o seu próprio caminho. Não adianta querer seguir o outro, mas sim aprender com ele. Só existimos em nós mesmos.bsimos unos.
Não estava à espera de encontrar o texto que encontrei... Não conhecia a aba ''Artigos''. Aliás, foi só realmente hoje que lá cliquei (e me apercebi que dividem o blogue em muito mais diversidade do que que eu conhecia). Acho que não estou assim tão habituado com a organização, pois no meu blog é uma confusão que nem mesmo eu sei apresentá-lo. Ainda me chego a ele como nos dias em que escrevia eu, no meu cantinho da secretária na escola, com o braço tapando a folha do meu caderno, coisas que para lá ficavam. Acho que agora apenas mudou o cenário (e a proteção do mesmo), pois continua a ser o que tem sido, há quase um ano... Ver o tempo passar assim, é engraçado. Ainda está lá muito dos textos amadores que fazia, escrevia as palavras pelos sentimentos que tinha com elas, e não realmente pela fluência ou concordância que tinham umas com as outras. Hoje acalmei, os sentimentos não transbordam tanto como faziam antes, apresentam-se firmes o suficiente para fazerem-se sentir, mas não para se tornarem um peso enorme.
Divaguei um pouco, hehe, mas queria dizer que gostei. A mensagem foi outra, ou melhor, o tema foi outro, a mensagem foi a mesma...
E ao ter descoberto um novo cantinho aqui, vou encontrar-me a lê-lo!
Fizeste-me lembrar tal e qual o que eu fazia. Escrever num caderno, na secretaria da escola, a tapar com o braço todo o turbilhão que de mim saía. Até ao dia em que fui descoberta e a professora de Português tomou a iniciativa de ler para a turma um poema meu. Ninguém adivinhou o autor... até ela dizer o meu nome. Nesse momento só me queria esconder. Tinham desfeito o anonimato. O meu blog da altura passou a ser conhecido e eu deixei de escrever lá... porque me comecei a sentir exposta demais para uma miúda de 14/15 anos.
Mais tarde regressei, já sem receios nenhuns. E a ser eu.
É engraçado o refúgio que encontramos nas palavras e o receio que temos de, nessa altura da adolescência, nos descobrirem através delas.
Não tenhas pressa, vai deixando fluir naturalmente. Tu tens uma maturidade muito pouco vulgar. Tens uma profundidade de pensamento que faz pensar que já cá andaste anteriormente ou, talvez, mais adiante... Não sei.
Quanto aos meus artigo, garanto que nunca estive na guerra :) Mas adoro ouvir as histórias de quem lá esteve e escrever sobre elas.
(PS: Organização é o meu nome do meio ehehe demasiado, até...)
São as palavras que nos despem e apresentam quem nós somos, quem realmente somos. E não as roupas que vestimos, nem mesmo a nudez como a conhecemos o faz, pois essa, essa é impermeável, seja do exterior para o interior como o inverso. Nada entra, nada sai.
A exposição, a real exposição, está naquilo que realmente expomos, guardado no corpo, num cantinho que é a mente.
A escrita sou eu despindo-me, rapidamente umas vezes, vagarosa outras, mas é também devido à camada que despimos que o ritmo se baseia, e isso não controlamos, pois despirmos-nos a nós mesmos, e encararmo-nos no espelho assusta, também, como se para outra pessoa nos apresentássemos.
E o que já me perdi nos textos lá publicados... Até mesmo nos comentários que li acerca dos mesmos. Gosto muito do estilo de escrita a referires os acontecimentos apresentados, tudo é tão rápido, tudo encaixa-se tão bem aos olhos, mas, no momento em que paramos, tudo é tão vagarosamente descrito, os sentimentos tão entranhados ficam, que num piscar de olhos um mundo acaba, e outro já emergiu!
Eu gosto de me descobrir. De explorar o que tenho dentro de mim. De saber quais os meus limite, para me poder desafiar sempre mais, no sentido da evolução. Ginastico muito a mente, tenho é um problema... ou não... sou muito sensível e vivo muito de emoções. Tenho uma sensibilidade extremamente apurada, e isso nem sempre me facilita o caminho.
Não tenho medo de me ver ao espelho, porque vejo sempre mais (e para além) do que ele me transmite. E é dessa forma que gosto de olhar para tudo e todos.
É-nos necessário mais do que os olhos para ver, na sua essência pura, outro ser.
Obrigada, Francisco. Fico-te grata pelas leituras e palavras que me deixas. Esses textos são especiais. De certa forma, deixam a sensação de que encarnei alguém que lá esteve e as vim aqui contar. Mas não, ouvi (gosto de ouvir os mais velhos) e relatei os factos reais, inserindo-os na figuração. Um dia volto a pegar nisso. O propósito foi escrever um livro.
Também vi essa ideia a ser apoiada por outras pessoas.
Eu, primeiro digo que sim, que continues! Quem saiba de mais temas, de outros conflitos até. Não sei como iria ficar em livro, se misturasses mais assuntos, (e também como iria ser a tua procura, pois como dizes, é pelo diálogo que ouves as histórias), mas poderia ser um género de pequenos contos sobre grandes acontecimentos, por vários narradores e assim, não sei hehe.
Um livro é sempre aquele, «Holy Grail» para alguém que escreve. Principalmente se for o primeiro livro. É onde há tanto cuidado, tanta vontade, desesperos até!
Mas disso, que sei eu, que escrever ainda aprendo, soletrando as palavras, devagarinho e emitindo sons vagos e estranhos.
E eu sou um pouco como tu. Também vivo muito no interior. Não diria que me aprofundo em sentimentos (mas na realidade é isso mesmo que faço), e sim que observo as coisas com valores simbólicos. Vejo o mundo em símbolos, cada coisinha pequenina representado algo. Nisso procuro a história por detrás desse ser/objeto, e aprendo a devotar-me a ele. Mais ainda, essa simbologia cria os meus pensamentos, sentimentos até, se não estou a dizer barbaridades.
É com esta minha visão que vejo um símbolo por detrás de quem se esconde na máscara da vida, seja uma pedra, uma planta, um 'animal', ou mesmo o ser humano. Todos representam algo.
Olho, e procuro o passado que o fez chegar a mim no dia em que vi (o que quer que esteja a ver). Penso e deixo fluir a ideia do que representa aquilo aos meus olhos, no meu tempo. Para mim, mesmo as ideologias são símbolos; representam algo no tempo e no espaço em que foram idealizadas e desenvolvidas, e tudo tão meticulosamente observo, para fazer do simbolismo aquilo que me faça compreender o mundo.
Não me assusto ao encarar-me no espelho. Mas ver-me ali, incompleto, faltando pedaços grandes de mim, não me apresenta consolo, sabendo que eu ainda não represento nada... O meu símbolo está, e permanecerá incompleto, disso não tenho dúvidas ou receio. Assim como nada do que vejo está realmente ali, por inteiro, sendo aquilo que surgiu plenamente para ser. Pois, principalmente nos seres vivos, representam sempre algo mais a cada vida que se prolonga a sua espécie. Assim como cada pedra se forma, uma rocha se quebra e conte uma nova história, o mundo que vejo só acaba muito para além de mim, pois eu, como disse, não represento nada, sendo só eu aqui. :)
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