Incorro em pasmaceira de jumêncio
sempre que se abate o silêncio
para lá da chuva que cai.
Tudo padece,
nada apetece,
a apatia envaidece
e a tristeza agradece
o trono
à alegria que se esvai.
Entrego ao sossego, o meu corpo,
e à elegância da chuva o quem em minh’alma vai.
Sentimento silvestre que em bailado agreste,
pinta áspera e rupestre,
a decadência que me trai.
Vestir-se-á somente de memórias
o frio que, em mim, a manhã sente?
Ou mente o sol quando espreita, longínquo
e da doce e sumarenta polpa da vida
me faz crente?
Com o arco íris me enganas...
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Apatia
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2 comentários:
Tão doce e sensorial... adorei! :-)
Obrigada, querido HD :-)
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