quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Remendar cadáveres com poemas

Vi, em vida, morrer o mundo
trespassado por balas perdidas;
vidas vencidas pelo cansaço a tombar na calçada rotineira
onde, rasos, os passos cediam ao vazio.
Vi, atear-se a fogueira na foz do rio sonhado,
navio de pólvora atacado por piratas de coração à deriva.
E numa tela, fogos de artifício à janela
de todos quantos por ali espreitam
e se enjeitam, sem ar
até ao lançar do infortúnio morteiro.
Sobrevivi, remendando um cadáver com poemas...
... e renasci
alinhavando mais dez. Cem. Mil.
Mas não chega, mundo senil!
Tragam-me o mar e a calma, é preciso cosê-los com alma
aos pedaços de céu, ao epicentro da vida!

 

8 comentários:

Robinson Kanes disse...

A inspiração da época está a dar grandes resultados por aí :-)

Rita PN disse...

Obrigada pela apreciação e por dares um saltinho até aqui.
Sabes... penso que a ausência de inspiração se deva à reduzida disponibilidade de tempo para estar a sós comigo mesma e "a falar com os meus botões". Estes dias permitiram-me remendar essa lacuna :-)

HD disse...

Linda costura... :-)

Robinson Kanes disse...

Então continua, eu estou a adorar :-)

Rita PN disse...

És um querido!

Rita PN disse...

Assentou bem? :-)
Beijinhos HD. Poder comentar o teu blog via smartphone é um desejo para 2018

HD disse...

Sim! ;)

I'm working on it ahahaha
Kisses*

Rita PN disse...

Anteriormente conseguia... depois o universo conspirou para que não fosse possível :-(
Trata lá desse assunto!

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