Vivemos, boa parte do tempo, julgando-nos - a nós e aos outros - sob parâmetros errados e pré-estabelecidos de ideais de sucesso e aptidões pessoais.
Da mesma forma, são poucos os que não seguem o rebanho e param para refletir sobre qual é, afinal de contas, a sua genealidade. Essa característica inata, pautada por habilidades e talentos intrínsecos, capazes de tornar únicos os seus detentores.
Ambicionar ser bom em tudo, sempre foi meio caminho para não se ser óptimo em nada. Aí reside a importância de nos questionarmos e apostarmos naquilo que nos pode, efetivamente, distinguir e fazer sobressair social e profissionalmente entre os demais: os nossos talentos inatos. A genealidade de cada um.
Diz-me, o que é que te diferencia?

11 comentários:
E quando a diferença leva à ostracização?
Aí voltas ao ponto de onde parti. Só existe ostracização porque existem ideias e ideais pré-concebidos e rebanhos que seguem num só sentido. Tudo o que se diferencie destoa. Na verdade, é visto como uma ameaça. "Tudo o que é diferente incomoda o que é igual".
São paradigmas da sociedade que dificilmente serão ultrapassados.
Contudo, repara nos inúmeros exemplos de ousadia que dão certo. De quantos remam contra a corrente, num rumo assente na sua diferenciação e chegam a lugares nunca antes navegados.
José Régio escreveu no seu "Cantico Negro" (um poema que deveria ser de leitura obrigatória):
"Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada."
E há tanto por desbravar e explorar fora dos lugares comuns...
Nunca será fácil remar contra a maré, mas acreditar que a pouco e pouco se consegue ir construindo algo é fundamental. Se isso se perde, como tenho visto em muita gente, aí a situação torna-se mais grave…
É daqueles que fazem perguntas que também saem grandes mudanças :-)
José Régio, um senhor… Sou capaz de "estar com ele" em breve.
Não ser fácil é um facto. Mas a bonança nunca fez bom marinheiro. E é aí, onde a dificuldade espreita, a corrente é contrária e as marés alternam que começa o desafio.
Légua, a légua e nunca querendo cruzar todos os mar de uma só vez.
Por outro lado, também é verdade que é na dificuldade que a diferenciação sobressai. Quantas vezes sem nos darmos conta usamos o engenho e arte para. ultrapassar obstáculos e criar soluções... é preciso astúcia.
A lugares fáceis todos chegamos.
E há quem não seja bom marinheiro mas seja um óptimo alpinista. Ou maratonista. Piloto aviador. Esquiador. Desbravador de mato. Descobridor do deserto. Astronauta... Lá está, os peixes não sobem às árvores, e os macacos não cruzam mares.
Mas homens sim, estão habilitados para ambas as coisas e muitas mais. São dotados de características inatas que lhe permitem desenvolver talentos vários, que sobressaem e prevalecem perante determinados factores. Não podemos querer ir todos por ali, bem temos que chegar todos ao mesmo lugar. Se não somos bons em algo, podemos ser geneais noutra área qualquer.
Mas para que tal descoberta seja feita, é necessário permitirmo-nos parar, reflectir, observar, questionar, arriscar e mudar.
E aí vou de encontro ao que disseste "É daqueles que fazem perguntas que também saem grandes mudanças." Afirmativo!
Agora atenção, genealidade não significa ser enorme, ter um património de milhões, ser dono de uma parte do mundo. Genealidade significa ter-se uma aptidão apurada para. A partir dessa descoberta, cada um traçará o seu caminho.
Hmmm vais colocar José Régio num artigo? Só pode ser bom!
PS: obrigada por me fazeres descorrer sobre este tema hoje. Já esperava que me viesses espevitar a massa cinzenta.
Astúcia e inovação, infelizmente só aparecem com o aperto… Além de que cada vez mais se criam as dependências para se sair do aperto e aqueles que não as têm ou não as querem encontram mais dificuldades… Falamos muito de "empowerment" mas estamos cada vez mais a proceder à contagem de braços cortados.
Que não se deixem os mares por navegar e pode ser que mais braços possam fazer a diferença…
Para se ser genial, eu diria que, hoje em dia, basta ser-se! Porque a parecer-se, não faltam talentos…
Não, conto passar por um lugar onde o mesmo viveu durante alguns anos.
Muito inspirador! :)
Por vezes surgem alguns dilemas que merecem ser prontamente rebatidos... ;p
Hum... já fiz coisas de nada a que outros deram importância e algo importante que nunca foi reconhecido. Ou não me sei avaliar ou a minha bitola é diferente dos demais.
Seja como for, nunca quis ser diferente da maioria, só pretendo que a vida valha a pena e isso pode ser muito ou não ser nada, depende do ponto de vista.
Estamos tão pouco tempo no mundo e somos tantos que deixar marca é quase impossível, mesmo que agora nos vejam como sumidades em qualquer coisa depressa isso passa.
Acho que prefiro mesmo é passar despercebida.
Beijinhos, linda.
Ahahaha depende sempre de quem avalia e das características pessoais e de formação de quem o faz. Ficamos ângulos diferentes e damos valor a coisas diferentes, consoante a nossa forma de estar na vida.
A minha questão aqui, não foi ressalvar grandes feitos, tão pouco apelar a que se façam é que sejam reconhecidos e enaltecidos. O meu ponto de vista aqui é chegar ao melhor cada um tem. Aquilo que o pode distinguir dos demais, até no exercício das mesmas funções. Lá está, as aptidões não são as mesmas e há sempre um talento inato que nem sempre descobrimos no curto espaço que é a vida.
Outra das questões é o que se idealiza ser o correto, o caminho a seguir, a fórmula certa, o tempo certo, o seguir o rebanho. Aí, pouco há a desbravar, e quantas vezes é a ovelha negra que, por destoar do rebanho, também consegue pensar fora da caixa.
Como disse ao Robinson, o peixe não trepa árvores e o macaco não atravessa oceanos. Contudo, o Homem está habilitado não só para isso, mas para muito mais. Se não é tão bom uma área, pode sempre arriscar outras.
É diante de dificuldades que paramos e nos questionamos. É das questões que nascem as mudanças e se criam soluções.
Não vamos julgar os diferentes, tão pouco apontar o dedo a quem desenvolve características diferentes das nossas. Somos todos necessários e há genealidade dentro de nós. Nem sempre descobrimos a nossa verdadeira aptidão e talento, mas eles estão cá. E ser genial em algo, não significa ser reconhecido. Significa apenas ser-se realmente bom e fazer diferente no exercício de determinada função.
Quantos génios anónimos no mundo...
Beijinho grande, coração bonito!
O nosso lugar no mundo pode ser à margem dele, onde não chegue a maré das modas, no areal da felicidade. E a areia é composta por tantas partículas tão pequeninas! A minha prioridade é sempre ser feliz e contagiosa. E se pego a "doença" a alguém que não a tinha já me sinto genial.
Outras valências todos temos, umas da natureza de cada um e outras com muito esforço. Não deixo de valorizar tudo o que alguém tem de melhor mas a vida ensinou-me que ela própria é modesta...
Chegar aos nossos corações é a tua genealidade, meu bem
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