Nus nascemos
e despojados descemos
num postremo cheiro a terra molhada.
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
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6 comentários:
E nascemos a chorar, e choram quando descemos....
Podes não chorar quando nasces, podem ter que te induzir o choro, ou podes já nascer morto e nunca chorar.
Quanto aos mortos, não é imperativo que se chorem. Será o valor do ser humano mensurável? Existe unidade de medida para? O número de processos que choram um morto é um indicador? 40 pessoas choraram a Manuela e 10 choraram o João. O João seria inferior à Manuela? Uma vida não se mede em números, nem o seu valor depende de terceiros.
Eu sou. Tu és. Ele é. Cada um é.
Doutores, anónimos, engenheiros, sapateiros, pobres, ricos...
Todos nasceram nus. E independentemente daquilo que seja a sua jornada, nada levarão quando morrem. (Nem a vida...)
Aqui tens a igualdade na unidade. No início e no fim. O meio é mera passagem.
Claro que sim, era nesse sentido.
Numa forma geral, nascem a chorar e choram quando partem.. sejam 10 ou 1000.
Como ninguém pede para nascer, e (a maioria) não pede para morrer... E é a única coisa garantida que se tem após o primeiro segundo de vida...
Nascemos e descemos, cabe a nós durante esse período ser e fazer o melhor possível..
Não é bem esse o sentido do poema...
Eu entendi.;)
Verdade Rita!!! 👏😘🌸
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