sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Monte Tradicional Alentejano - Um pouco de história e tradição

 

FB_IMG_1510906668116.jpg

Quando se fala em Monte Alentejano, somos inevitavelmente remetidos para uma sensação de tranquilidade, sossego, descanso, harmonia mas, também, de isolamento. Na verdade, foi extamente esse o príncipio que deu origem à estrutura conceptual do Monte Alentejano, tal como o conhecemos hoje.

 

A sua história remonta ao séc VII a. C. e à presença dos Fenícios que, por terem na Península Ibérica uma base importante e estratégica na sua rota de comércio, exerciam sobre este território uma forte influência.
À época, o conceito de Estado não existia – note-se que o conceito de Estado se refere a qualquer entidade com estrutura própria, politicamente organizada e com poder soberano para governar um povo dentro de uma área territorial perfeitamente delimitada. São poderes tradicionais do Estado o Poder Executivo, o Poder Legislativo e o Poder Judiciário, sendo que numa Nação o Estado o Estado desempenha funções políticas, sociais e económicas. – e foram os agrupamentos sucessivos e cada vez maiores de seres humanos que nos fizeram chegar a essa concepção.

 

Os Fenícios foram um dos primeiros povos a tentar implementar um conceito semelhante, onde as regras fossem similares entre os diferentes povos que coabitavam a região. Os grandes centros urbanos, por eles dominados, foram os primeiros locais a acolher e a implementar estas regras, o que levou a que uma boa parte dos seus habitantes - habituados a viver segundo as suas próprias normas - começassem a dispersar por todo o sudoeste peninsular, de modo a poderem viver segundo os seus próprios costumes. Por consequência, levavam consigo muito da influência Fenícia no que à construção e à estrutura habitacional dizia respeito.

Com uma história que ascendente os 2500 anos, o Monte Alentejano teve a sua maior influência na arquitetura mediterrânica, instituída, em grande parte, pelos Fenícios. É de realçar a privacidade de espaço como característica principal, situando-se a habitação no centro dos pátios, o que garantia a sua salvaguarda.

 

Contudo, a edificação do Monte Alentejano poderá também ser considerada uma ruptura conceptual, estrutural e arquitectónica para com as características predominantes nas habitações da época. Senão vejamos, com a dispersão dos grandes povoados, na parte final do século VII e no início da idade do Ferro, a realidade do cultivo, da força laboral e do conceito de família é transmitida para a construção, sendo abandonada a estrutura circular das pequenas cabanas, para abraçar uma nova realidade arquitectónica.
Sendo já uma base da comunidade, a família torna-se igualmente base do trabalho e da organização estrutural, cultural e social.

 

Provenientes da região litoral, as técnicas de construção e da própria organização do espaço foram implementadas em determinadas zonas do interior, permitindo a criação de pequenas comunidades rurais auto-sustentáveis, predominantemente instaladas junto a linhas de água, por forma a reforçar o carácter agrícola e agro-pastoril das comunidades.

 

Estudos arqueológicos indicam que estes antiquíssimos protótipos do Monte Alentejano seriam construídos em pedra e terra e seriam, tal como atualmente, pintados de branco.

 

10 comentários:

Maria disse...

São tão, mas tão lindos... Adoro paredes caiadas..

Robinson Kanes disse...

Ora aí está algo que desconhecia completamente...

Rita Palma Nascimento disse...

Isso significa que iniciei o meu dia a ensinar qualquer coisa ao sábio aqui do bairro? Upiiii! Ahahaha

Rita Palma Nascimento disse...

São não são? E as nossas aldeias caiadas são de facto um lindíssimo marco cultural. Tu testemunhaste :)
Um beijinho grande

Robinson Kanes disse...

Sábio aqui do bairro? ahahahahahah

Maria disse...

Sou fã das casinhas alentejanas desde que me lembro de ser gente. Principalmente das que têm a "barra" azul! E tem de ser cal, não tinta!
Adoro o Alentejo, mesmo muito!
beijos!!!

Rita Palma Nascimento disse...

Sim, sim. Sábio aqui do bairro!!!
Maria, ajuda-me!!!!

Rita Palma Nascimento disse...

Também são as minhas favoritas! Têm um.encanto especial.
Confesso que quando era criança adorava "esgravatar" a cal das paredes da minha tia. Ouvir estalar sempre que lhe arrancava um bocadinho :p

Maria disse...

Maria disse...

Ai, desculpa... só agora vi
É O Sábio, pois claro!!!

Hipoteticamente

Dista-nos um quarteirão de luar onde, na sombra, os detalhes se ensaiam, os elementos se vestem de harmonia e onde todas as ruas parecem reg...