segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A casa


 


 


Ao cimo da rua uma casa.
Paredes brancas e muita luz. Num recanto, a lareira antevém ardentes noites de inverno; ao fundo, um quintal onde os pequenos semeiam alegria e os mais crescidos colhem amor nas noites de lua cheia. 
Ao cimo da rua uma casa. 
Três quartos no primeiro andar - o nosso, o dela e o dele. Falta um para o terceiro que está para chegar. Temos tempo e com tempo tudo se ajeita.
No rés-do-chão a cozinha, ampla, onde as horas passam a voar, e os cheiros se misturam com o amor que transborda da cafeteira, sempre que pela manhã, ele lhe prepara o café.  
Lá fora, as sonoras gargalhadas das crianças, o cachorro a ladrar e a mesa posta - é domingo, dia de almoço em família.


Ao cimo da rua uma casa. Paredes de felicidade. Telhado de afeto e carinho. O chão, esse era d’amor.
Se desciam a rua, as mãos sempre dadas, os sorrisos rasgados e a alegria de quem nada exige da vida, a mais que felicidade. São 4 e um cachorro. Em breve serão 5 e um cão.
Já foram dois e subiam a rua. A mesma rua e as mesmas mãos entrelaçadas, o mesmo sorriso, a mesma alegria. Ao cimo, ainda não existia uma casa, mas a lua sempre fora encantadora quando vista dali.


Hoje, subi a rua e não encontrei a casa.Não nos vi a nós, nem tão pouco ouvi ninguém. Na verdade, não sei por quem procurava. 


Abri os olhos, acordei - são 7 horas da manhã e eu estou novamente a sonhar.


Mais um dia a começar.



 


7 comentários:

simples disse...

O chão esse era d'amor...
Profundamente belo.

Rita PN disse...

Obrigada Simples! 😊 E sempre que não sentirmos os pés no chão, que seja por querermos tocar o céu!

Malik disse...

Rita PN disse...

Obrigada Malik! Que não seja a vida a afundar-nos os sonhos, mas que sejam os sonhos a salvar-nos da vida! Um beijinho

Malik disse...

Rita PN disse...

Nesse dia deixaríamos de ser... E também de existir. Ter sempre presente "Eu sou do tamanho dos meus sonhos."

Malik disse...

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